O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou à Justiça o ex-diretor da Penitenciária Estadual de Dourados (PED), o policial penal Rangel Schveiger, e mais 10 investigados, por suspeita de integrar um esquema de corrupção, favorecimento e concessão de regalias a detentos. A denúncia é fruto da Operação Sátrapa, conduzida pela Polícia Federal por meio da FICCO.
De acordo com as investigações, o grupo operava em troca de vantagens financeiras e pagamento de propinas. Entre os principais pontos apontados pela acusação estão:
O ex-diretor teria recebido R$ 300 mil de um traficante para garantir exclusividade na venda de drogas dentro do presídio e permitir o porte de uma pistola de calibre 9 mm. Outro detento teria pago R$ 9 mil pela autorização de entrada de um aparelho celular.
Há suspeitas de vantagens concedidas a membros de facção criminosa, como transferências para pavilhões específicos e inclusão em frentes de trabalho para remição de pena.
A denúncia também aponta fraudes em licitações da penitenciária, além de violação de sigilo profissional por vazamento de investigações e movimentações de detentos que teriam resultado em mortes na unidade.
A denúncia foi recebida pelo juiz Marcel Goulart Vieira, da 2ª Vara Criminal de Dourados, que determinou o prosseguimento da ação penal, mas negou o afastamento imediato dos cargos públicos por entender que os fatos ocorreram em 2024.
Em nota divulgada, Rangel Schveiger declarou que ainda não foi formalmente citado pela Justiça, que sempre atuou com fidelidade às leis e que provará a improcedência das acusações durante o processo. A Agepen informou que acompanha o caso e adotou as medidas administrativas cabíveis. Os demais investigados não tiveram defesas localizadas até o momento.

