Uma investigação policial revelou um esquema criminoso que operava em vários estados brasileiros, vitimando pacientes em tratamento contra o câncer. O plano envolvia empresários, médicos, advogados e funcionários públicos em fraudes de licitações, superfaturamento e suspeita de falsificação de medicamentos.
Médicos identificavam pacientes cujos tratamentos não eram cobertos pelo SUS e receitavam medicamentos específicos.
Esses mesmos médicos indicavam advogados particulares para entrar com ações judiciais exigindo que o Estado financiasse a compra dos remédios.
As ordens judiciais eram encaminhadas as farmácias e distribuidoras controladas por um empresário do esquema central (como Lisandro Hermes, preso no Rio Grande do Sul), garantindo que os grupos criminosos vencessem as licitações com preços superfaturados ou entregando produtos de baixa qualidade e sem registro.
Muitas das vítimas receberam medicamentos sem registro na Anvisa, importados a baixo custo de países como Índia, China, Paquistão e Turquia, sem nenhuma segurança sanitária. Em vários casos, pacientes sofreram atrasos e interrupções em seus tratamentos, resultando em graves consequências de saúde e óbitos.
A polícia já identificou casos de suspeita de adulteração e fraudes em pelo menos quatro estados: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Ceará e Mato Grosso do Sul, além de condenações no Paraná.
A Receita Federal apontou que, entre 2021 e 2025, as empresas envolvidas movimentaram mais de R$ 70 milhões.
Profissionais envolvidos, incluindo médicos, advogados e servidores públicos da área da saúde, foram afastados, tiveram suas licenças profissionais suspensas e estão sob investigação criminal.

