Operação Infiltrados II: Escândalo em MS revela esquema de desvio de cocaína liderado por policiais civis

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Uma investigação de grande repercussão abalou as forças de segurança de Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira (5). A “Operação Infiltrados II”, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), mira um esquema sofisticado de desvio de cocaína apreendida pela própria polícia para abastecer o narcotráfico.

Entre os alvos estão um delegado que já chefiou o combate aos crimes na fronteira e outros oito policiais civis lotados na Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) entre junho de 2025 e maio de 2026.

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo operava retirando entorpecentes diretamente dos depósitos da delegacia ou durante o trajeto para incineração. As drogas eram então repassadas a traficantes para retornarem ao mercado ilegal. Em um único episódio registrado em setembro de 2025, mais de 500 quilos de cocaína destinados à destruição teriam sido desviados.

A operação cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em cidades como Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina (MS) e Santa Terezinha de Itaipu (PR).

O portal g1 confirmou os nomes dos nove agentes civis alvos desta fase da operação:

  • Guilherme Scucuglia Cezar
  • Rogério da Rocha Ferreira
  • Rodrigo Carpes da Silva
  • Anderson Mirandola
  • Cassiano Rodrigues Teixeira
  • Eumer Cordeiro Barbosa
  • Oseias Medeiros da Silva
  • Gustavo dos Santos Sayao
  • João Marcos Garcia

A nova fase é um desdobramento de investigações iniciadas em setembro, que já haviam resultado na prisão do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e do investigador Douglas Tobias. Ambos também foram alvos da Operação Ifrit, da Polícia Federal, que apura conexões do esquema com o tráfico internacional de drogas, armas e organizações criminosas.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que as irregularidades já eram apuradas internamente há cerca de quatro meses pela Corregedoria-Geral, por meio de Inquérito Policial e Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A instituição reforçou que repudia o uso da função pública para práticas ilícitas e que continuará colaborando com o Gaeco para o rigoroso esclarecimento dos fatos. As defesas dos investigados alegam que ainda aguardam acesso integral aos autos para se manifestar sobre o mérito das acusações.

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