A Operação Hummm Amostradinhas e o Dia em que a Lei Virou Piada

Era uma tarde comum em Pedro Gomes, MS, um daqueles dias em que o sol parece querer derreter o asfalto e a preguiça toma conta de todos. Mas, como sempre, a criminalidade não tira folga. E foi assim que a Guarnição de Força Tática do 5º BPM recebeu a missão mais épica desde que o sertão virou mar: a Operação Hummm Amostradinhas, batizada pela população com aquele humor ácido que só o brasileiro sabe ter. O objetivo? Dar apoio a uma ocorrência de tráfico de drogas que, para variar, envolvia crianças, bebida, entorpecentes e uma live no Facebook que parecia mais um episódio de “Narcos: Edição Amarra Cabelo”.

A denúncia chegou pelo 190: duas mulheres e dois homens estavam fazendo a festa em uma casa desabitada, com direito a bebida, entorpecentes e, claro, crianças de cinco anos como plateia. A cereja do bolo? Uma das crianças, em um momento de lucidez infantil, soltou a pérola: “Minha mãe tá lá, fumando e bebendo com uns homens. Eu tava lá com ela e brinquei com as galinhas, mas eu falei pra ela não ficar rebolando!”. Sim, a cena era tão absurda que até as galinhas pareciam estar julgando.

A equipe de Força Tática, com todo o seu preparo e equipamento de elite, chegou ao local pronta para o combate. Só que, claro, os envolvidos já tinham ido embora. Afinal, por que facilitar? Uma senhora, que preferiu manter o anonimato (provavelmente para não virar meme), informou aos policiais que as pessoas a quem procuravam estavam na casa em frente, fazendo uso de maconha, cocaína e, aparentemente, tentando bater o recorde de pior exemplo de maternidade.

Quando a polícia finalmente localizou o quarteto, os valentões resolveram que iam resistir. Afinal, por que cooperar se você pode dar uns socos e empurrões em policiais treinados? A Força Tática, sempre dentro da lei, usou técnicas de contenção progressiva (leia-se: “segura esse abraço, meu filho”) para imobilizá-los. Já uma das mulheres, após umas frases de efeito do tipo “você não sabe com quem está falando”, decidiu colaborar. Afinal, até ela percebeu que a situação estava mais feia que roupa de festa junina em dezembro.

No local, foram encontrados resquícios de cocaína, maconha e, claro, os celulares que provavelmente seriam usados para postar mais lives do tipo “Família em Crise: Edição Sertaneja”. Os envolvidos foram algemados (com todo respeito aos direitos constitucionais, é claro) e levados para a delegacia. Familiares de uma das crianças foram orientados a comparecer posteriormente na delegacia com a criança de cinco anos, que, além de ter participado da live, agora tinha material para uma futura sessão de terapia.

Uma das mães, já que eram duas crianças de mesma idade na platéia em um momento de sinceridade induzida pela cocaína, contou que os dois amigos valentões eram de Sonora e tinham vindo com um outro lutador de MMA, com apelido de marca de tênis (Mizuno – “vai entender como surgem esses apelidos no mundo do crime!”) para buscar drogas. Só que, em uma reviravolta digna de filme de ação, o carro deles foi apreendido em uma abordagem policial. Sem desistir, compraram mais drogas de um tal L.C.S.M (42), pagas via PIX (porque até o tráfico já está na era digital).

Parte da substância adquirida estava sendo usada no momento da chegada dos policiais, e outra parte estava guardada com a segunda mulher que participava das filmagens juntamente com seu filho de 05 anos. Ela também foi conduzida para a delegacia, e seu filho foi encaminhado aos cuidados do Conselho Tutelar. O empresário do crime, L.C.S.M (42), foi localizado no Bar do Odelso, tomando uma cerveja e pensando “onde foi que eu errei na vida?”.

Enquanto isso, as crianças foram entregues à avó e ao Conselho Tutelar, que certamente já estão acostumados a lidar com esse tipo de situação. Afinal, no Brasil, o crime é tão rotineiro que até as crianças já sabem que “mamãe fumando e rebolando com uns homens” não é exatamente um programa familiar.

E aí, onde está a comédia nisso tudo?

A comédia está na impotência da segurança pública brasileira. A polícia age dentro da lei, prende, faz o possível e o impossível, mas no final do dia, a legislação brasileira parece mais preocupada em proteger os direitos dos criminosos do que das vítimas. Todos os envolvidos nesse evento foram soltos, talvez até postando novas lives. Enquanto isso, os policiais, delegados, promotores e juízes seguem fazendo seu trabalho, sabendo que, no fim das contas, a lei parece estar do lado errado.

E assim, a Operação “Hummm Amostradinhas” entrou para a história como mais um capítulo da saga “Brasil: O País onde o Crime Compensa”. E as galinhas? Bem, elas continuam no rancho, provavelmente pensando: “Até nós sabemos que isso aqui tá errado.”

Moral da história: Enquanto a lei brasileira continuar sendo uma piada, as operações policiais vão continuar sendo episódios de comédia trágica. E as galinhas? Elas vão continuar julgando.

Nossas Redes Sociais