Creche de Pedro Gomes (MS): O silêncio cúmplice e a indignação que ecoa

Em Pedro Gomes, cidade do interior de Mato Grosso do Sul, um caso que deveria ser tratado com urgência e transparência pelas autoridades locais transformou-se em um triste exemplo de omissão, negligência e tentativas de abafamento. A creche municipal, espaço que deveria ser sinônimo de cuidado e proteção para crianças, tornou-se palco de denúncias graves de maus-tratos envolvendo bebês indefesos. O que choca não são apenas os relatos de violência, mas a postura das autoridades, que, em vez de agir para resolver o problema, preferiram acusar a imprensa, intimidar denunciantes e transferir responsabilidades.

A reportagem do Conexão PG News revelou uma realidade que muitos pais sequer imaginavam: colaboradoras da creche estariam envolvidas em práticas de maus-tratos contra crianças. As denúncias, inicialmente tratadas como “fofocas” por gestores públicos, ganharam força com o surgimento de áudios e fotos que comprovam a gravidade da situação. A indignação dos pais, ao descobrirem que seus filhos poderiam estar sofrendo em um local que deveria ser seguro, é justificável e necessária. Afinal, como confiar em um sistema que falha em proteger os mais vulneráveis?

A reação das autoridades, no entanto, foi no mínimo vergonhosa. Em vez de investigar com rigor e punir os responsáveis, a Secretaria de Educação, o representante do  executivo da cidade e alguns assessores optaram por uma estratégia que beira o absurdo: tentaram descredibilizar a imprensa, acusando-a de sensacionalismo e motivações políticas. Para piorar, removeram da creche uma funcionária que, segundo eles, seria “oposição ao atual prefeito”, numa clara tentativa de desviar o foco do problema real. A pergunta que fica é: quantas crianças precisam sofrer para que a prioridade deixe de ser a imagem dos gestores e passe a ser a segurança dos pequenos?

A funcionária removida, longe de se calar, ampliou as denúncias, revelando mais detalhes sobre os maus-tratos. Enquanto isso, as autoridades continuam a agir como se o problema fosse uma invenção da mídia ou uma conspiração política. A realização de reuniões com as mães, nas quais tentaram desqualificar as denúncias, e a ameaça de processo judicial contra a responsável pela reportagem, Renata, são atitudes que só aumentam a desconfiança da população.

Um áudio que circula pela cidade expõe a postura da secretária de educação, que declarou: “Quem marcou essa reunião que eu não tô sabendo que tem essa reunião marcada, E eu liguei pra ela e e não foi agora não foi desde a outra vez, eu não vou procurar ela porque quem tá falando que tem provas é ela, e ela que vai ter que provar que tem as provas. Eu não vou procurar, tá! Depois ela vai entender o que vai acontecer. Eu não vou procurar ela, não tenho que procurar ela. Quem tem que me procurar são as pessoas que estão fazendo as denúncias, segundo ela. Aí ela que tem que me procurar, não sou eu.”

A tentativa de intimidação é evidente, mas também se revela um tiro no próprio pé, pois a imprensa e os pais envolvidos não se intimidaram. Pelo contrário, a luta por justiça só cresce na comunidade de Pedro Gomes.

É revoltante ver que, em pleno século XXI, ainda há gestores públicos que preferem “tapar o sol com a peneira” a enfrentar problemas reais. A omissão diante de denúncias de maus-tratos contra crianças é inaceitável. A tentativa de silenciar a imprensa, que cumpre seu papel de informar e fiscalizar, é um ataque à democracia. E o pior de tudo: a transferência de responsabilidade para a imprensa e a perseguição a funcionários que tentam expor a verdade mostram que, para alguns, a imagem do poder vale mais do que a integridade das crianças.

Parabéns aos pais e mães que, diante de tanta negligência, tiveram a coragem de buscar a delegacia e registrar boletins de ocorrência. Sua indignação é legítima e necessária. A população de Pedro Gomes e todos aqueles que acompanham este caso não se calarão até que os responsáveis pelos maus-tratos sejam punidos e que as autoridades envolvidas na tentativa de abafar o caso sejam responsabilizadas. A verdade, por mais que tentem escondê-la, virá à tona. E, quando isso acontecer, que sirva de lição para que casos como esse nunca mais se repitam. Crianças não são moeda de troca política. Sua segurança e bem-estar devem ser prioridade

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