Câmara de Pedro Gomes: Entre a Fiscalização Popular e os Conchavos Políticos

A Câmara Municipal de Pedro Gomes vive um momento paradoxal: enquanto a população marca presença massiva nas sessões, exigindo respostas para problemas denunciados em grupos de WhatsApp, parte dos vereadores demonstra hesitação em enfrentar temas delicados, revelando um jogo de interesses que pode custar caro no futuro.

O aumento da participação popular é inegável. Cidadãos lotam o plenário — muitos precisam acompanhar as sessões do lado de fora — e pressionam os vereadores a discutir demandas antes restritas às redes sociais. Esse fenômeno é um avanço democrático: uma sociedade que fiscaliza tende a ser menos tolerante com omissões. Como destacou um parlamentar, a cobrança virá, sim, mas os aplausos também — principalmente nas urnas, daqui a quatro anos.

No entanto, por trás do discurso de transparência, escondem-se velhas práticas. Relatos dão conta de conchavos entre o Executivo e o presidente da Câmara, cujo tratamento negligente a uma denúncia de maus-tratos em uma creche municipal escancarou a fragilidade ética da casa. Enquanto a maioria se calou — incluindo aliados do prefeito —, apenas dois vereadores, Nicanor e Beto Quilombola, ousaram romper o silêncio. A omissão dos demais não só revela covardia política, mas também uma perigosa desconexão com o sofrimento das famílias atingidas.

O episódio levanta uma questão crucial: até que ponto os “apertos de mãos” entre os poderes estão sufocando o papel fiscalizador do Legislativo? Se, por um lado, a população mostra-se mais vigilante, por outro, a resistência de certos vereadores em confrontar o Executivo sugere que os acordos de bastidores ainda falam mais alto que o interesse público.

A mensagem é clara. Os políticos de Pedro Gomes podem até negociar entre si, mas a paciência do eleitorado tem limite. Obras de infraestrutura são importantes, mas nenhum asfalto cobre o rastro da indiferença. Se a Câmara não agir com a devida independência, as urnas farão o ajuste de contas — e, dessa vez, a plateia atenta não vai aplaudir.

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