Alerta epidemiológico: Mato Grosso do Sul enfrenta aumento preocupante de SRAG, e poder público precisa reforçar ações preventivas

Há meses, a imprensa nacional e local vem alertando sobre o crescimento das doenças respiratórias, com destaque para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que registra cinco semanas consecutivas de alta no Mato Grosso do Sul. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que os casos já superam os do mesmo período de 2024, exigindo medidas urgentes do poder público para conter a disseminação dos vírus e proteger a população, especialmente os grupos de risco.

Cenário preocupante: números em ascensão

Desde o início de 2025, o estado contabiliza 1.755 casos de SRAG hospitalizada e 119 mortes. Apenas na 14ª Semana Epidemiológica (SE), foram registrados 246 novos casos, um aumento expressivo em relação aos 160 notificados no mesmo período de 2024. A escalada começou em março, com 142 casos na SE 10, e segue em curva ascendente: 163 (SE 11), 166 (SE 12), 198 (SE 13) e, agora, 246 (SE 14).

Os principais agentes identificados são o rinovírus (35,5% dos casos com etiologia confirmada) e o vírus sincicial respiratório (19%), ambos com potencial para evoluir para complicações graves, principalmente em crianças e idosos.

Campo Grande em situação crítica; interior também preocupa

A capital concentra 70% das notificações recentes e lidera em números absolutos, com 633 casos em 2025. No norte do estado, cidades como Coxim e Sonora já enfrentam superlotação em postos de saúde e falta de leitos, enquanto Pedro Gomes registra casos isolados – por enquanto, sob controle.

Lívia de Mello Maziero, gerente de Influenza e Doenças Respiratórias da SES, reforça a necessidade de atenção especial aos grupos vulneráveis. “A sazonalidade já era esperada, mas o aumento em relação ao ano passado exige medidas reforçadas”, alerta.

O que o poder público precisa fazer?

Diante do cenário, especialistas destacam que ações coordenadas são essenciais para evitar colapso no sistema de saúde:

  1. Reforço na vigilância epidemiológica – Monitoramento em tempo real de casos e identificação rápida de surtos locais.
  2. Campanhas de conscientização – Divulgação massiva sobre higiene das mãos, uso de máscaras em locais fechados e distanciamento social em ambientes de risco.
  3. Estruturação da rede hospitalar – Ampliação de leitos e insumos em regiões críticas, como o norte do estado.
  4. Vacinação e proteção aos grupos de risco – Incentivo à imunização contra influenza e outros vírus respiratórios que podem agravar a SRAG.
  5. Testagem ampla – Garantia de acesso a diagnósticos precoces para evitar complicações.

População também deve fazer sua parte

Enquanto o poder público atua na contenção, a adoção de medidas individuais é fundamental:

  • Lavar as mãos com frequência ou usar álcool em gel.
  • Usar máscara em ambientes fechados ou com aglomerações.
  • Evitar locais lotados se apresentar sintomas respiratórios.
  • Procurar atendimento médico em caso de falta de ar ou piora do quadro.

Entre a negligência e a urgência – Pedro Gomes como exemplo do descaso

Com a chegada do outono e inverno, a tendência é que os casos continuem subindo. A experiência recente com a Covid-19 mostrou que a prevenção é a melhor estratégia – mas será que as autoridades aprenderam a lição?

Enquanto os números ascendem, a pergunta que fica não é apenas “as autoridades estão preparadas para frear essa curva a tempo?”, mas sim: elas estão dispostas a agir?

Em Pedro Gomes, a situação já expõe as rachaduras do sistema. A população e a classe política local vêm denunciando a falta crônica de medicamentos, a sobrecarga dos profissionais de saúde e a precariedade no atendimento hospitalar – problemas tão graves que chegaram a provocar discussões acaloradas na Câmara Municipal. O próprio presidente da casa legislativa constatou, em visita aos postos de saúde e hospital local, a realidade que muitos gestores parecem ignorar.

Agora, com a SRAG em ascensão, o que era um alerta torna-se um teste de competência. Será que as ações preventivas – tão óbvias e amplamente divulgadas – serão implementadas a tempo? Ou, mais uma vez, vidas serão perdidas pela lentidão, negligência ou incompetência de quem deveria agir?

A resposta, como sempre, virá não dos discursos, mas dos leitos lotados – ou vazios. E, infelizmente, a história recente sugere que o poder público só costuma acordar quando a tragédia já bate à porta. Desta vez, será diferente?

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