Em mais um capítulo que expõe a máquina pública ao descrédito, o prefeito de Nova Alvorada do Sul, José Paulo Paleari (PP), nomeou o sargento da Polícia Militar Nelson Fernandes de Oliveira – condenado em 2018 a quase nove anos de prisão por venda ilegal de armas – para comandar a Secretaria de Obras e Infraestrutura do município. A decisão, publicada no Diário Oficial em 4 de julho, ocorre justamente quando o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga supostas irregularidades em contratações temporárias na gestão.
O caso do sargento Nelson não é apenas um escândalo moral; é um símbolo da impunidade estrutural que permeia a política local. Condenado por comércio ilegal de arma de fogo, ele deveria cumprir pena, mas, em vez disso, foi premiado com um cargo público de confiança. A nomeação levanta questionamentos óbvios: qual o critério para escolher um condenado por crime grave para gerir obras municipais? E, mais grave ainda: que mensagem isso passa à população?
MP investiga, mas prefeitura ignora
O promotor Maurício Mecelis Cabral já instaurou um inquérito para apurar a contratação de temporários na prefeitura – muitos deles ocupando vagas que, por lei, deveriam ser preenchidas por concursados. Enquanto isso, Paleari segue ignorando os aprovados em concurso, especialmente na Secretaria de Saúde, onde profissionais já qualificados e com exames admissionais prontos são preteridos em favor de contratados sem processo seletivo.
Uma enfermeira, que preferiu não se identificar, relatou que a prefeitura está renovando contratos de temporários, deixando concursados de lado. “É um desrespeito. Estamos esperando há meses, enquanto quem não passou no concurso continua lá”, denunciou.
Governo do descaso ou da conveniência?
A nomeação de um condenado por tráfico de armas e a insistência em contratações irregulares sugerem que a gestão de Paleari opera sob a lógica do clientelismo e da impunidade. Enquanto o MP investiga, a prefeitura age como se as leis não se aplicassem a ela.
Nova Alvorada do Sul merece um governo que respeite a lei, e não um que premie criminosos e ignore concursados.
Fonte: Midiamax
