Intervenção militar dos EUA na Venezuela captura Maduro e desencadeia crise regional

Em uma operação militar “de grande escala” nas primeiras horas da manhã de sábado, 3 de janeiro de 2026, forças dos Estados Unidos atacaram alvos em Caracas e outras regiões da Venezuela, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O presidente americano, Donald Trump, confirmou que o casal presidencial foi transportado e está a bordo do navio de guerra americano USS Iwo Jima, com destino aos Estados Unidos, onde enfrentará acusações federais de narcotráfico e terrorismo.

A ação, que Trump descreveu ter assistido “literalmente, como se estivesse a ver um programa de televisão”, marca o clímax de meses de tensões crescentes entre os dois países e abre um cenário de incerteza profunda para o futuro político e econômico da Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo. O ataque ocorreu por volta das 2h (horário local), com explosões reportadas em áreas como a base aérea de La Carlota e o complexo militar de Fuerte Tiuna, onde Maduro residia.

O caminho para a intervenção militar direta foi pavimentado ao longo de 2025, após a posse de Maduro para um terceiro mandato controverso em janeiro e o retorno de Trump à Casa Branca. A administração americana estruturou sua ofensiva em torno de três eixos principais: o combate ao narcotráfico, a pressão sobre a indústria petrolífera venezuelana e a busca por uma mudança de regime.

Em Agosto de 2025 os EUA iniciaram manobras militares no Caribe, posicionando vários navios de guerra e milhares de militares próximos à costa venezuelana.

De Setembro a Dezembro de 2025 uma série de ataques a embarcações no mar, justificados como ações antidrogas, resultou em dezenas de mortes. Em dezembro, a CIA executou seu primeiro ataque conhecido em solo venezuelano, com drones contra uma instalação portuária.

No final de Dezembro de 2025, Trump ordenou um “bloqueio total” a navios petroleiros com vínculos com a Venezuela.

O ataque final desta madrugada, que segundo Trump não causou baixas americanas, foi justificado como necessário para “não permitir que traficantes de drogas destruam a juventude americana”.

A comunidade internacional reagiu com preocupação e condenações, embora de forma desigual e, em alguns casos, tardia, destacando a falta de um mecanismo regional unificado de resposta.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “profunda preocupação”, alertando que os eventos constituem um “precedente perigoso” para a ordem internacional.

Na América Latina, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou a ação horas depois do ocorrido, classificando-a como a “mais grave agressão internacional na América do Sul no século 21” e uma afronta à soberania. Em contraste, o presidente argentino, Javier Milei, celebrou publicamente o ataque.

Aliados da Venezuela, a Rússia condenou a “agressão militar”. Cuba manifestou apoio firme ao governo venezuelano. A China, principal credora e aliada de Caracas, ainda não se pronunciou de forma definitiva, mas espera-se uma condenação.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que todos os países devem respeitar o direito internacional e que o Reino Unido não participou da operação.

Com a captura de Maduro, a questão do poder em Caracas está em aberto. A vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, membro do núcleo duro do chavismo, é a sucessora constitucional e emitiu um comunicado rejeitando a agressão. Paralelamente, a oposição venezuelana, liderada pela ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, pediu que o candidato presidencial de 2024, Edmundo González Urrutia, assuma imediatamente como presidente legítimo, figura reconhecida pelos EUA.

Em sua coletiva de imprensa, Trump foi claro sobre os próximos passos: “Vamos a controlar o país até que possamos realizar uma transição segura”. Ele também afirmou que as companhias petrolíferas americanas voltarão à Venezuela para “começar a ganhar dinheiro para o país”.

O petróleo está no centro da estratégia. A Venezuela possui cerca de 303 bilhões de barris de reservas provadas, mas sua produção despencou para cerca de 1 milhão de barris/dia, menos de um terço do que produzia há duas décadas, devido a sanções, corrupção e falta de investimento. Analistas acreditam que, no curto prazo, o conflito pode elevar levemente os preços do petróleo, mas no médio prazo, uma normalização que permita o retorno de investimentos internacionais poderia inundar o mercado com novo suprimento, potencialmente baixando os preços.

A intervenção cria um terremoto geopolítico na região com múltiplas consequências:

Risco de Instabilidade Interna: A possibilidade de conflito entre facções chavistas, forças armadas e oposição gera o fantasma de uma guerra civil ou de violência prolongada, o que seria catastrófico para os venezuelanos e para a segurança fronteiriça.

Crise Humanitária e Migratória Acelerada: Com 7,9 milhões de venezuelanos já emigrados, uma nova onda de deslocados pode pressionar ainda mais os serviços públicos de países vizinhos como Colômbia, Brasil e Peru.

Governos de esquerda, como os do Brasil e Colômbia, que haviam se distanciado de Maduro mas defendem a soberania, enfrentam o desafio de equilibrar sua oposição à intervenção com a necessidade de manter relações funcionais com Washington.

A militarização do conflito pode contaminar a percepção de risco de toda a América Latina, aumentando os custos de financiamento para países da região, pelo menos no curto prazo.

Enquanto Maduro e sua esposa seguem para um tribunal em Nova York, o povo venezuelano acorda em um país sob ataque, com seu destino político e econômico nas mãos de potências estrangeiras e de uma frágil estrutura de poder local. A intervenção americana, seja vista como uma medida extrema de combate ao narcoterrorismo ou como um ato ilegal de guerra, redefine de forma dramática as regras do jogo no hemisfério ocidental e deixa a América Latina diante de um de seus momentos mais delicados e perigosos em décadas.

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