Em um ano de gestão do prefeito Murilo Jorge(PL), descaso com a saúde pública chega ao extremo, o servidor encarregado de manter veículos seguros é um dos maiores recebedores de diárias do município.
Passado pouco mais de um ano da atual gestão, o prefeito Murilo Jorge(PL) não consegue apresentar à população de Pedro Gomes(MS) obras relevantes ou um plano consistente de geração de emprego. No entanto, o retrato mais grave e perigoso de sua administração está no abandono de setores essenciais. A saúde vive um cenário de risco, escancarado por dois episódios que evidenciam negligência: um veículo da saúde pegou fogo em serviço e, recentemente, outro perdeu a roda dianteira em movimento.
Quando a frota que transporta pacientes, medicamentos e vidas vira cinzas ou fica à beira de uma tragédia, o problema não é “azar” ou “veículo velho”. É a materialização da falta de manutenção, da gestão irresponsável e do descaso. Uma cadeia de omissões que tem um ponto de partida claro e um responsável final: a prefeitura.
O chefe da frota é responsável direto pelo controle, solicitações de manutenção e relatórios que deveriam impedir a circulação de veículos inseguros.
A secretária de Saúde responde pela omissão ao permitir que essa frota degradada continue nas ruas.
O prefeito é o responsável máximo. A falha sistêmica, seja por licitação travada, verba não aplicada ou pura desorganização, chega ao gabinete principal.
Mas um dado chocante escancara a inversão de prioridades desta gestão: o próprio servidor imediatamente responsável pela manutenção e integridade dos veículos é, paradoxalmente, um dos maiores recebedores de diárias do município. Em apenas seis meses, ele acumulou R$ 15.997,47 em pagamentos de diárias, valor que contrasta brutalmente com o estado de abandono da frota que deveria conservar.
Sua função, na prática, tem sido viajar dirigindo os mesmos veículos que deveria manter em condições seguras, transportando pacientes para outras cidades. Isso levanta questões éticas e administrativas gravíssimas: como justificar que o encarregado de cuidar da frota passe mais tempo ao volante, acumulando diárias vultosas, do que garantindo a segurança mecânica dos veículos sob sua guarda? Se sua atribuição primordial é assegurar que a frota esteja apta a rodar, por que ele próprio é constantemente deslocado para missões de transporte, negligenciando sua função essencial?
Algo está profundamente errado quando um servidor recebe quase R$ 16 mil em diárias em meio ano, enquanto os carros que ele deveria manter pegam fogo ou perdem rodas na estrada. Esse não é apenas um conflito de interesses operacional; é um sintoma de uma gestão que perdeu o rumo e as prioridades.
Enquanto esse cenário permanece, a frota definha. Carros quebrados não são “incidentes”; são o resultado previsível de uma administração que não revisa, não troca peças, não fiscaliza e não prioriza a vida. O prejuízo não é do prefeito, do chefe da frota ou da secretária. É do cidadão que espera uma remoção, da família que depende do SUS, de vidas que estão literalmente sobre rodas soltas ou sob risco de incêndio.
A pergunta que a população de Pedro Gomes faz é: até quando? Até quando vidas seguirão expostas por uma gestão que não cuida do básico? Até quando um servidor será remunerado com valores altíssimos em diárias, enquanto a manutenção fica esquecida e os veículos viram ameaça?
É hora de o prefeito Murilo Jorge dar explicações públicas. A cobrança é urgente, e a responsabilidade, indelegável.
