Dona Neide, conhecida por vender flores há 35 anos na Capital, aguarda cirurgia na Santa Casa; família e Polícia Militar apresentam versões divergentes sobre a origem do ferimento.
Uma intervenção da Polícia Militar em uma tabacaria no Jardim Leblon, na madrugada do último domingo (18), terminou com uma idosa de 63 anos gravemente ferida. Neide Fátima de Oliveira, que trabalha como florista há mais de três décadas, está internada na Santa Casa de Campo Grande sob risco de perda total da visão em um dos olhos.
Segundo relatos da família, o incidente ocorreu por volta de 1h da manhã. A nora da vítima, Simone Queiroz, afirma que Dona Neide se aproximou para observar a movimentação de três viaturas da PM quando foi atingida por estilhaços de uma bomba de efeito moral lançada pelos agentes. Além da lesão ocular, a idosa apresenta dores no peito e dificuldade respiratória devido à inalação de gás.
“A médica informou que ela precisa de internação imediata, pois o sangue no olho está muito coagulado. Ela sente dores intensas e segue aguardando vaga para o procedimento cirúrgico”, relatou Simone ao Jornal Midiamax.
Versão da Polícia Militar
Em nota oficial, a Assessoria de Comunicação da PMMS apresentou uma versão diferente para o caso. Segundo a corporação, equipes da 10ª CIPM foram acionadas para conter uma ocorrência de perturbação do sossego e direção perigosa no local.
A PM afirma que houve resistência por parte da multidão, com arremesso de garrafas contra os policiais, o que motivou o uso de “instrumentos de menor potencial ofensivo” para dispersão. Ainda de acordo com o registro oficial, testemunhas no local teriam informado aos policiais que o ferimento de Dona Neide não foi causado por bombas, mas sim por uma garrafa de vidro lançada por populares durante a confusão. A corporação ressaltou que uma das viaturas prestou apoio no transporte da vítima até a UPA Leblon.
Dona Neide permanece em observação na Santa Casa, aguardando a redução do inchaço para que a gravidade da perfuração ocular seja avaliada. A família da florista confirmou que registrará um boletim de ocorrência na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro para que as circunstâncias do incidente sejam investigadas pela Polícia Civil.
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