Enquanto o discurso oficial fala em economia e legalidade, a realidade nas ruas é outra: trabalhadores locais ficando sem renda e o dinheiro público saindo da cidade.
A recente contratação de serviços de fora de Pedro Gomes, especialmente no transporte escolar, escancarou um problema antigo, quando há decisão política, quem paga a conta é o trabalhador local. Motoristas da cidade, muitos com anos de experiência, ficaram de fora enquanto ônibus e empresas de outros municípios passarão a operar aqui.
Não se trata apenas de concorrência. Trata-se de prioridade. Quando o poder público escolhe contratar de fora um serviço que poderia ser prestado por gente da própria cidade, ele está fazendo uma opção clara, e essa opção tem consequências diretas na vida de famílias inteiras.
Outro ponto que chama atenção é o silêncio dos vereadores. Nenhum posicionamento firme, nenhuma audiência pública, nenhuma explicação clara à população e aos profissionais afetados. O silêncio, nesse caso, não é neutro, ele valida a decisão e normaliza o prejuízo para quem vive e trabalha em Pedro Gomes.
Em cidades vizinhas, inclusive em municípios de Goiás, a realidade é diferente. Mesmo com frotas mais antigas, há sindicatos organizados, apoio institucional e diálogo com o poder público. Em Pedro Gomes, motoristas relatam abandono total, sem sindicato forte, sem respaldo político e sem canais reais de escuta.
É previsível que o argumento oficial seja o da legalidade do pregão e do “direito de todos participarem”. De fato, o pregão é um instrumento legal e garante isonomia na disputa. Mas legalidade não pode ser usada como escudo para decisões que ignoram o impacto social.
O pregão não impede que o poder público estabeleça critérios que valorizem a economia local, nem obriga a administração a fechar os olhos para as consequências de suas escolhas. Direito de concorrer não é dever de contratar quem vai gerar desemprego dentro da própria cidade.
Quando não há qualquer preocupação em preservar o trabalhador local, a mensagem é clara, a planilha vale mais do que as pessoas.
Quando o serviço é contratado de fora, o dinheiro público também vai embora. Deixa de circular no comércio local, não fortalece a economia da cidade e não gera efeito multiplicador. É um ciclo perverso, menos renda, menos consumo, mais dificuldade para quem já vive no limite.
O povo de Pedro Gomes(MS) se pergunta: Por que os trabalhadores locais não foram priorizados? Quantas famílias foram diretamente afetadas por essa decisão? Quem ganha quando o dinheiro público sai de Pedro Gomes? Por que os vereadores permanecem em silêncio?
Pedro Gomes não é uma cidade sem profissionais, sem capacidade técnica ou sem gente disposta a trabalhar. O que falta é decisão política que valorize quem é daqui. Chamar isso de economia ou legalidade não muda o fato central, houve uma escolha, e ela penalizou o trabalhador local.
Enquanto não houver transparência, diálogo e prioridade para quem sustenta a cidade todos os dias, Pedro Gomes(MS) continuará importando serviços e exportando desemprego.
