Contratos públicos, repetição de sobrenomes e a necessidade de transparência em cidades pequenas

A Prefeitura de Pedro Gomes(MS) publicou o extrato do contrato nº 008/2025, firmado para a locação de um imóvel destinado ao funcionamento da Casa de Acolhimento de Crianças e Adolescentes.
O contrato prevê o valor total de R$ 36.432,00, pelo período de 12 meses, conforme publicação oficial.


Questionar contratos públicos não é ataque pessoal. É dever da sociedade e da imprensa acompanhar como o dinheiro público é aplicado, especialmente em municípios de pequeno porte, onde a proximidade entre poder público e famílias locais é maior.
No caso em questão, chama atenção o fato de que um mesmo núcleo familiar aparece vinculado tanto a contratos custeados com recursos públicos quanto à organização de eventos tradicionais do município, como rodeios, que também envolvem apoio institucional e visibilidade política.
Não se trata de afirmar ilegalidade. Não há, até o momento, qualquer decisão judicial ou órgão de controle que aponte irregularidade. O ponto levantado aqui é outro: a concentração recorrente de oportunidades em torno dos mesmos grupos familiares, fenômeno comum em cidades pequenas e que merece atenção.
Em contextos assim, algumas perguntas são legítimas e necessárias:
Houve pesquisa de mercado para a escolha do imóvel?
Existiam outros imóveis aptos a atender a demanda?
Os critérios adotados foram amplamente divulgados?
Quantos contratos e eventos públicos estão concentrados em um mesmo círculo familiar?
Esses questionamentos não atacam pessoas, cobram transparência da gestão pública. Assistência social, eventos culturais e contratos administrativos devem ser conduzidos com critérios técnicos claros, publicidade e igualdade de oportunidades.
Quando a administração pública atua com transparência, o debate não incomoda.
O que incomoda, quase sempre, é a falta de respostas.
Fiscalizar não é perseguir.
Questionar não é acusar.
E dinheiro público exige explicação pública.

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