Caso do cão morto por adolescentes expõe mais uma vez a falência da responsabilização no Brasil

A reportagem exibida ontem pelo Fantástico escancarou uma realidade incômoda: mais um caso de extrema violência, amplamente divulgado, que dificilmente resultará em justiça. O episódio envolvendo a morte brutal de um cão por adolescentes gerou comoção nacional, revolta nas redes sociais e indignação de entidades de proteção animal. Mas, passada a repercussão, o que resta é a sensação de impunidade.
O crime, apesar de evidente e amplamente documentado, esbarra em um velho conhecido da sociedade brasileira: a fragilidade do sistema quando os autores são menores de idade. A legislação atual limita punições, relativiza responsabilidades e, na prática, transmite uma mensagem perigosa, a de que atos cruéis podem não ter consequências proporcionais.
Não se trata apenas de um caso isolado de maus-tratos contra um animal. Trata-se de um alerta. Diversos estudos apontam que a violência contra animais é frequentemente um indicador de comportamentos agressivos mais graves no futuro. Ignorar isso é fechar os olhos para um problema social maior.
O discurso oficial costuma ser o mesmo: acompanhamento psicológico, medidas socioeducativas, sigilo dos envolvidos. Tudo muito protocolar, tudo muito distante da indignação popular. Enquanto isso, o sentimento coletivo é de que a vida, especialmente a vida de quem não tem voz, segue valendo pouco.
A pergunta que fica após a matéria do Fantástico é simples e incômoda: se nem diante de um crime que chocou o país inteiro há resposta firme do Estado, o que esperar dos inúmeros casos que sequer ganham visibilidade?
Sem responsabilização clara, sem punição efetiva e sem revisão séria da legislação, casos como esse continuarão se repetindo. A comoção passa. A dor passa. A impunidade, não.
Justiça que não chega deixa de ser justiça. E quando o Estado falha, a sociedade inteira paga o preço.

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