Presidente do Legislativo municipal concentra críticas por gastos elevados, diárias generosas e postura considerada omissa diante dos problemas da cidade
Pedro Gomes (MS).À frente da Câmara Municipal desde o início da atual legislatura, o vereador Réges Nunes de Paula, presidente do Legislativo, tornou-se um dos nomes mais criticados da política local. Em vez de protagonismo na fiscalização do Executivo e defesa dos interesses coletivos, o que tem chamado atenção da população são os altos gastos da Câmara, especialmente com diárias, e uma atuação considerada tímida, alinhada demais ao Executivo e distante das urgências reais do município.
Um dos principais focos de desgaste envolve os valores das diárias pagas aos vereadores, aprovadas e mantidas sob a atual Mesa Diretora. Em Pedro Gomes, as diárias chegam a ultrapassar R$ 2 mil em viagens interestaduais e passam de R$ 1 mil dentro do próprio Estado, números considerados desproporcionais para um município pequeno, com graves carências em áreas básicas como infraestrutura, saúde e geração de emprego.
Relatórios e matérias da imprensa regional apontam que, em poucos meses, a Câmara gastou dezenas de milhares de reais em diárias, com o próprio presidente figurando entre os que mais receberam. A repercussão foi imediata e negativa: enquanto a população aperta o cinto, o Legislativo parece não conhecer limites quando o assunto é verba pública.
Questionado, Réges Nunes de Paula adotou uma postura que só ampliou as críticas. Em vez de responder de forma direta, preferiu atribuir as decisões à legalidade dos atos e à Procuradoria Jurídica da Câmara, citando despesas com pedágio, combustível e deslocamento como justificativa. Para muitos moradores, a explicação soa burocrática e insuficiente diante da realidade local.
O problema, segundo críticos, não é apenas se é legal, é se é moral, necessário e prioritário.
Outro ponto recorrente nas críticas é a atuação discreta da Câmara em relação ao Executivo municipal. Projetos polêmicos avançam sem grande resistência, denúncias não ganham a profundidade esperada e requerimentos de maior impacto simplesmente não aparecem. O sentimento nas ruas é de que o Legislativo, sob a presidência de Réges, atua mais como extensão do Executivo do que como poder fiscalizador independente.
Em um cenário de obras paradas, aditivos sucessivos, denúncias administrativas e insatisfação social crescente, a ausência de uma Câmara firme pesa,e a responsabilidade recai diretamente sobre quem conduz a Casa.
Embora o discurso institucional fale em transparência e legalidade, parte da população cobra mais clareza, mais prestação de contas e menos complacência. O presidente da Câmara ocupa um cargo estratégico, com poder de pauta, condução política e controle administrativo. Quando esse posto falha em representar o interesse coletivo, o custo não é apenas financeiro,é democrático.
Até o momento, Réges Nunes de Paula não apresentou posicionamento público robusto que responda, ponto a ponto, às críticas que se acumulam. O espaço permanece aberto para esclarecimentos, documentos e contrapontos.
Enquanto isso, a pergunta que ecoa em Pedro Gomes é simples e incômoda:
a Câmara existe para fiscalizar o poder ou para se beneficiar dele?
