A manhã no 2º Batalhão de Polícia Militar seguia a rotina de protocolos e silêncios interrompidos pelo rádio, até que uma bicicleta rosa, de marca Colli, encostou no portão. Nela, estava W.P.B.P. O veículo, que em qualquer outro contexto sugeriria a leveza de um presente ou um passeio, era, naquela manhã de 2026, o transporte de uma confissão brutal.
Ao abordar o Soldado da PM, W. não trazia desculpas, mas o peso de um ato irreversível. “Matei minha amásia”, teria dito, com a frieza de quem já não via saída. O destino final daquela bicicleta não era o lazer, mas a entrega voluntária de um homem que acabara de silenciar a voz de sua companheira.
O cenário da tragédia era o Condomínio Rui do Cavaquinho. No apartamento 201 do bloco 09, a porta não precisou ser arrombada, o próprio autor entregou as chaves, permitindo que a guarnição entrasse no que restou de um lar desfeito. Lá dentro, o silêncio era absoluto. O médico legista pôde apenas confirmar o que o crime já havia anunciado: a mulher não respirava mais.
A motivação relatada pelo autor carrega o estigma clássico do feminicídio: uma discussão que escalou para a morte. Ele alegou ter sido atingido por um soco e, em uma reação desproporcional e fatal, usou as próprias mãos para asfixiar a companheira. Antes de procurar a polícia, ele ligou para o irmão, um último contato com a vida que levava antes de se tornar, oficialmente o autor de um crime que interrompeu os sonhos de mais uma mulher.
Enquanto a perícia da Polícia Civil, sob o comando do Delegado, examinava cada centímetro do apartamento, o local era isolado pela Força Tática. O isolamento, porém, era mais que físico, era o retrato de uma sociedade que assiste, mais uma vez, a uma mulher perder a vida dentro de sua própria casa.
O autor agora aguarda seu destino na DEPAC, enquanto o nome de Beatriz Benevides da Silva deixa de ser apenas uma identificação em um documento policial para se tornar mais uma cicatriz na estatística da violência de gênero.
