Relatos enviados à redação apontam problemas dentro do Hospital Municipal Demétria Albano Ramos, em Pedro Gomes, incluindo falta de fraldas para pacientes internados e falhas na estrutura da unidade.
Segundo informações recebidas pela reportagem por meio de relatos de pessoas que estiveram recentemente na unidade, familiares de pacientes internados estão sendo obrigados a improvisar e arcar do próprio bolso com a compra de fraldas, um item básico que tradicionalmente sempre foi fornecido pelo hospital.
Na prática, isso acaba se tornando mais um gasto inesperado para famílias que já enfrentam o desgaste emocional de ter um parente internado, tendo que correr atrás de recursos para garantir algo que deveria estar disponível na unidade de saúde.
Além disso, pacientes também relataram queda de energia na unidade. Segundo os relatos, o hospital ficou um longo período sem energia, pois o gerador teria apresentado problemas e não funcionou imediatamente. Durante esse tempo, pacientes, incluindo crianças e idosos internados, permaneceram no escuro. Quando o gerador finalmente voltou a funcionar, apenas as luzes dos corredores foram acionadas, enquanto outras áreas da unidade continuaram sem iluminação adequada.
Bebedouro improvisado vira símbolo do problema
Um dos exemplos que mais chamaram atenção foi a situação de um bebedouro dentro do hospital.
As torneiras do equipamento estão quebradas e uma delas só funciona por meio de uma improvisação com um garfo, colocado para permitir que a água seja liberada.
A situação levanta um questionamento simples: será que não seria mais fácil trocar uma torneira ou a prefeitura não tem recursos para isso?!
Para pacientes e acompanhantes, a cena acaba se tornando um símbolo da falta de manutenção básica na unidade de saúde.
Profissionais são elogiados
Apesar das críticas à estrutura, pacientes fizeram questão de destacar o trabalho dos profissionais da unidade.
Segundo relatos, algumas enfermeiras são consideradas verdadeiras guerreiras, muitas vezes trabalhando longas horas seguidas. A alimentação também foi elogiada.
Ou seja, os relatos deixam claro que o problema não estaria nos profissionais, mas sim na estrutura e na gestão da unidade.
Discurso da prefeitura contrasta com relatos
Em entrevista recente concedida em Campo Grande, o prefeito Jorge afirmou que a gestão reorganizou as contas públicas para que os recursos chegassem onde a população mais precisa.
“Reorganizamos as contas da cidade para que o recurso chegasse onde o cidadão realmente precisa: no asfalto da rua e no remédio do posto.”
No entanto, os relatos enviados à redação mostram uma realidade que levanta questionamentos. Enquanto o discurso fala em reorganização e prioridade ao cidadão, pacientes afirmam enfrentar falta de fraldas, falta de certos medicamentos e problemas básicos de manutenção dentro do hospital municipal.
Prioridades em debate:
A situação também levanta questionamentos sobre as prioridades da gestão pública, especialmente após a recente compra de uma camionete de alto valor pela prefeitura.
Enquanto isso, dentro do hospital, pacientes relatam enfrentar falta de itens básicos e improvisos em equipamentos simples, como o bebedouro quebrado.
Novo relato reforça críticas à saúde municipal:

Outro relato recebido pela redação, desta vez vindo diretamente de Campo Grande, também levanta questionamentos sobre a forma como pacientes de Pedro Gomes estão sendo atendidos pelo sistema de saúde do município.
Segundo informações repassadas por uma assistente social de um hospital da capital, uma mãe que havia acabado de receber alta, após dias acompanhando seu bebê recém nascido, que precisou de atendimento intenso,precisou retornar para sua residência em Pedro Gomes. No entanto, ao solicitar apoio para o transporte, teria sido informada de que não havia carro ou ambulância disponível no município para realizar o deslocamento.
Sem alternativa, a mãe precisou voltar para Pedro Gomes de ônibus, com o recém-nascido no colo.
A situação chamou a atenção da equipe do hospital em Campo Grande, já que recém-nascidos devem ser transportados em bebê conforto ou cadeirinha, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro (artigo 64) e a Resolução nº 819/2021 do Contran, que estabelece o uso obrigatório de dispositivos de retenção adequados para crianças.
De acordo com o relato, a mãe ficou constrangida com a situação e teme fazer reclamações formais por ainda precisar retornar a Campo Grande para acompanhamento médico do bebê, receando que o atendimento possa ser dificultado.
A assistente social que procurou nossa redação, relatou indignação com a situação, afirmando que a mãe e o recém-nascido não receberam qualquer tipo de prioridade no retorno ao município.
O episódio levanta mais um questionamento sobre a realidade da saúde pública local, especialmente diante das constantes publicações da prefeitura nas redes sociais destacando uma suposta excelência no atendimento da saúde municipal. Enquanto o discurso oficial aponta avanços e organização do sistema, relatos como este mostram dificuldades enfrentadas por pacientes em situações básicas de atendimento e transporte.
Cobrança por providências
Diante das denúncias, cobramos providências da Secretaria Municipal de Saúde e maior fiscalização por parte dos vereadores, responsáveis por acompanhar a aplicação dos recursos públicos.
A situação também reforça a cobrança sobre o novo secretário municipal de Saúde. Ser educado, atender bem a imprensa e demonstrar paciência nas conversas é importante, mas isso por si só não faz uma boa gestão na saúde pública. O que a população espera são soluções para problemas básicos dentro do hospital.
Relatos como falta de fraldas e equipamentos funcionando de forma improvisada indicam descaso com quem precisa do atendimento. No caso do bebedouro, por exemplo, o uso de um garfo para liberar água não é apenas improviso, pode representar risco de acidentes, especialmente para idosos e crianças que utilizam o local.
O que se espera agora é ação prática para resolver essas situações. Porque quando se fala em saúde pública, a prioridade deve ser simples: estrutura básica e atendimento digno para a população.
