A senadora sul-mato-grossense criticou a substituição de membros da CPI para derrubar o relatório final, afirmando que a ação favorece…
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) subiu o tom contra a articulação do Palácio do Planalto que resultou na rejeição do relatório final da CPI do Crime Organizado, nesta terça-feira (14/04). Em uma manobra estratégica, o governo Lula substituiu três parlamentares da oposição por aliados de última hora, garantindo um placar de 6 a 4 para enterrar o diagnóstico de 220 páginas elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Blindagem política
Para Tereza Cristina, o governo Lula agiu deliberadamente para impedir o avanço de investigações sensíveis no Congresso. “É o mesmo padrão: quando a verdade incomoda, o governo abafa. Na prática, milicianos e facções serão os favorecidos”, disparou a parlamentar. Segundo ela, a manobra impede que criminosos violentos sejam punidos e deixa a população refém de acordos políticos.
O “Caso Master”
A senadora lamentou que as denúncias envolvendo o Banco Master e o pedido de indiciamento de autoridades, incluindo três ministros do STF e o procurador-geral da República, tenham sido travados pela base governista. O relatório detalhava conflitos de interesse e relações financeiras que, segundo o texto, paralisaram as investigações e comprometeram a independência do Judiciário frente ao crime financeiro.
Propostas perdidas
Tereza Cristina destacou a importância das mudanças legislativas que acabaram descartadas com a rejeição do relatório. O texto propunha o fortalecimento do Coaf, a modernização da Lei Antilavagem e uma PEC para impor maior rigor ético em tribunais superiores. “Não adianta só punir; temos de impedir que crimes financeiros se repitam. Essas propostas serão perdidas?”, questionou.
Raio-X do crime
O documento rejeitado trazia dados alarmantes que a senadora pretendia ver transformados em ações concretas:
Controle territorial: 26% do Brasil sob comando do crime organizado.
Vítimas: 28,5 milhões de brasileiros vivendo em áreas dominadas.
Recrutamento: O uso de menores pelo tráfico classificado como exploração sistemática infantil.
Com a manobra governista, as recomendações de intervenção federal no Rio de Janeiro e a criação do Ministério da Segurança Pública perdem força institucional, permanecendo agora apenas no campo do debate político liderado pela oposição.
Créditos: Douglas Duarte
