Kemp denuncia “boicote” e levanta suspeita sobre repasse milionário à FIEMS após base barrar pedido de informações

A rejeição de um requerimento na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul reacendeu o debate sobre transparência no uso de recursos públicos e colocou sob suspeita um repasse milionário à iniciativa privada. O deputado estadual Pedro Kemp (PT) classificou como “papelão” a decisão da base governista que derrubou seu pedido de informações sobre aproximadamente R$ 7 milhões destinados à FIEMS (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul).
O requerimento tinha um objetivo direto: esclarecer para onde foi o dinheiro público, quais critérios foram adotados no repasse e qual o retorno prático para a população. Nada além do básico em qualquer democracia minimamente funcional. Mesmo assim, a maioria dos deputados votou contra, o que, na prática, impede o acesso a informações que deveriam ser públicas.
A reação de Kemp foi dura. Segundo ele, barrar um pedido simples de transparência levanta ainda mais desconfiança sobre a destinação dos recursos.
“A população paga impostos e tem o direito de saber onde o dinheiro é aplicado. Meu pedido era simples: transparência. O que fizeram foi impedir que a sociedade tivesse acesso a essas informações”, disparou.
Dinheiro público, resposta privada
O ponto central da polêmica é o repasse de um volume expressivo de recursos públicos para uma entidade privada, em um momento em que o próprio Estado enfrenta dificuldades financeiras. Kemp destacou que há registros de atrasos em pagamentos a hospitais, fornecedores e até servidores públicos, cenário que torna o repasse ainda mais questionável.
Na avaliação do parlamentar, não há justificativa plausível para priorizar esse tipo de destinação sem a devida transparência.
“Falta recurso para áreas essenciais, mas não pode faltar explicação sobre como o dinheiro está sendo utilizado. Fiscalizar é dever do mandato”, reforçou.
Assembleia sob pressão
A decisão da base governista também expõe um problema recorrente: o enfraquecimento do papel fiscalizador do Legislativo. Ao barrar o requerimento, deputados deixam de cumprir uma das funções mais básicas do cargo, cobrar explicações do Executivo.
Na prática, a mensagem que fica é clara: quando o assunto é dinheiro público, a transparência vira opcional.
E isso tem peso político.
A rejeição do pedido não encerra o caso, pelo contrário. Amplia a pressão por respostas e abre espaço para novos questionamentos, inclusive por órgãos de controle e pela própria sociedade.
O que está em jogo
Não se trata apenas de um requerimento barrado. O episódio escancara três pontos críticos:
Falta de transparência em repasses milionários
Prioridades questionáveis em meio à crise fiscal
Atuação fragilizada do Legislativo diante do Executivo
Próximos passos
Kemp afirmou que continuará cobrando explicações sobre o repasse e não descarta acionar outros mecanismos para obter as informações, incluindo órgãos de fiscalização.
Enquanto isso, a pergunta permanece sem resposta, e é justamente essa falta de resposta que mais incomoda:
Por que tanto esforço para esconder informações sobre dinheiro público?

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