A Prefeitura de Sonora formalizou a Ata de Registro de Preços nº 046/2026, com valor estimado de até R$ 1.345.410,00 para serviços de fotocópias destinados às secretarias municipais. O processo foi realizado por meio de pregão eletrônico, dentro do sistema de registro de preços,modelo em que o valor total não representa gasto imediato, mas um teto máximo de consumo ao longo de 12 meses.
Após questionamento, a administração informou que os serviços serão utilizados de forma parcelada, conforme a demanda de cada secretaria. Segundo a justificativa oficial, a estimativa foi baseada em levantamento técnico das necessidades administrativas, incluindo áreas como Saúde, que engloba unidades básicas, CEM, CAPS e outros setores.
O contrato prevê fornecimento de equipamentos em comodato, manutenção preventiva e corretiva e insumos como toner e peças. O papel, no entanto, ficará por conta do próprio município, ou seja, o custo real pode ser ainda maior do que o valor da ata sugere inicialmente.
Falta de transparência acende alerta
Apesar das explicações formais, a gestão deixou lacunas importantes. Não foram divulgados:
O volume estimado de cópias mensais ou anuais
O custo por página contratado
Comparação com gastos anteriores
Avaliação sobre viabilidade de estrutura própria
Essas informações são básicas para qualquer análise de economicidade, princípio que a própria Prefeitura alega estar buscando.
Sem esses dados, o discurso de “eficiência” fica vazio. Na prática, o contribuinte não tem como saber se o município está economizando ou apenas terceirizando um serviço com custo inflado.
Contradição entre discurso e prática
A gestão afirma que a contratação busca “economicidade e continuidade”. Mas há um problema direto: se o papel não está incluso, parte essencial do serviço continua sendo bancada separadamente. Ou seja, o modelo não centraliza custos, fragmenta.
Isso levanta uma questão simples:
qual é, de fato, o custo total real desse serviço?
Sem essa resposta, o contrato perde transparência e dificulta qualquer fiscalização.
Gasto alto para serviço básico
Outro ponto que chama atenção é o valor. Mesmo sendo estimativo, R$ 1,3 milhão para fotocópias é um montante elevado para um município do porte de Sonora.
Serviço de impressão é rotina administrativa. Não é obra complexa, não exige tecnologia avançada. Quando esse tipo de despesa atinge esse nível, o mínimo esperado é detalhamento rigoroso, o que não ocorreu.
Gestão precisa explicar melhor
A Prefeitura até se posicionou, mas respondeu o básico do básico. Não entrou no que realmente importa: números concretos.
Ficou claro que:
Existe planejamento formal
Existe justificativa técnica genérica
Mas falta transparência objetiva
E quando falta número, sobra desconfiança.
Conclusão
O contrato pode até ser legal dentro da Lei 14.133/2021. Mas legalidade não é sinônimo de boa gestão.
Sem transparência sobre volume, custo unitário e comparação com modelos anteriores, a contratação levanta dúvidas legítimas sobre eficiência e uso do dinheiro público.
Agora a responsabilidade é da gestão:
ou detalha os dados e prova que é vantajoso,
ou vai carregar o desgaste de mais um gasto mal explicado.
O espaço segue aberto para a gestão.
Foto: Conexão PG News
