Neste dia 1º de abril, a segurança pública de Mato Grosso do Sul relembra um dos episódios mais trágicos e marcantes de sua história. Há exatos 20 anos, em 2006, os policiais civis Ronilson Magalhães Bartie (36 anos) e Rodrigo Lorenzatto (26 anos) foram mortos durante uma emboscada na região de Porto Cambira, no município de Dourados(MS). O ataque também deixou o policial civil Emerson José Gadani gravemente ferido.
Na tarde daquele sábado, os três agentes da Polícia Civil, lotados no 1º Distrito Policial de Dourados, realizavam diligências na região rural do município. Segundo os registros da época, a equipe investigava o paradeiro de um suspeito de homicídio. Ao passarem próximo a uma área de acampamento indígena em Porto Cambira, os policiais foram surpreendidos e atacados.
O confronto resultou na morte violenta dos dois agentes e deixou Gadani com ferimentos graves provocados por arma branca e agressões físicas. Ele conseguiu sobreviver após receber auxílio na rodovia MS-156.
O episódio gerou grande comoção e repercussão nacional, além de tensão entre os envolvidos na disputa de terras da região. O processo judicial que apurou as mortes estendeu-se por quase duas décadas, passando por mudanças de comarca para garantir a isenção dos julgamentos:
Em junho de 2019, quatro indígenas foram condenados pelo Tribunal do Júri (realizado em São Paulo) as penas que somaram mais de 100 anos de prisão pelos crimes de duplo homicídio e tentativa de homicídio.
No início de 2024, novos julgamentos na Justiça Federal concluíram pela absolvição de outros réus acusados de liderar a emboscada.
O episódio permanece como um símbolo de risco e do sacrifício enfrentado pelos agentes de segurança em regiões de conflito. Contudo, ao olharmos para os rumos que o processo tomou ao longo de duas décadas, é impossível não sentir uma profunda sensação de injustiça para com os policiais mortos e suas famílias.
As absolvições e a demora na conclusão da justiça revelam uma triste realidade sobre o Brasil: a falta de responsabilização efetiva e o constante abandono dos profissionais da segurança pública. Quando aqueles que colocam suas vidas em risco em nome do Estado são esquecidos e não encontram o devido amparo legal e institucional, abre-se um precedente perigoso de impunidade. Ronilson e Rodrigo morreram cumprindo o dever, e a ausência de uma punição rigorosa e definitiva para todos os responsáveis apenas reforça a sensação de desamparo daqueles que vestem a farda e defendem a sociedade.
