Após duas décadas de espera, o bairro Galdina Dias Pedroso finalmente vê o asfalto chegar às suas ruas. Com um orçamento de R$ 2.511.000,00, a obra, que inclui rede de drenagem, pavimentação asfáltica, acessibilidade e calçadas, tem previsão de conclusão para 3 de julho de 2025. A iniciativa é celebrada pelos moradores, mas também expõe questões sobre a lentidão e a falta de prioridade em investimentos básicos por parte dos gestores públicos.
A senhora Iris Noronha, uma das primeiras moradoras do bairro, descreve os anos de dificuldades enfrentadas pela comunidade. “Nos períodos de chuva, o acesso era quase impossível, e na seca, a poeira tomava conta de tudo. Era um sofrimento diário”, relata. A fala de Iris reflete a realidade de milhares de brasileiros que vivem em áreas esquecidas pelo poder público, onde infraestrutura básica é tratada como um privilégio, e não como um direito.
A obra foi viabilizada por meio de recursos federais, repassados pela senadora Simone Tebet, além de contribuições do Governo Estadual e da gestão do ex-prefeito Willian. A população, evidentemente, agradece a todos os envolvidos, mas é inevitável questionar: por que uma comunidade precisou esperar 20 anos por algo tão essencial? A demora não apenas reflete a ineficiência crônica da administração pública, mas também a falta de priorização de políticas que impactam diretamente a qualidade de vida da população.
A promessa de melhoria na valorização dos imóveis e na qualidade de vida dos moradores é, sem dúvida, um avanço. No entanto, é preciso ir além do discurso de gratidão e exigir transparência e agilidade na execução de obras públicas. Afinal, o direito à mobilidade, ao saneamento básico e à infraestrutura digna não deveria ser uma conquista, mas uma garantia.
Enquanto o bairro Galdina Dias Pedroso comemora o fim de um longo período de descaso, é fundamental que a sociedade questione quantos outros bairros ainda aguardam por soluções semelhantes. A obra, embora tardia, é um passo importante, mas serve como um alerta para a necessidade de uma gestão pública mais eficiente e comprometida com as reais necessidades da população. Afinal, 20 anos de espera por asfalto não são motivo de orgulho, mas sim de reflexão sobre as falhas do sistema.