Bastidores da Derrota: Como Bolsonaristas e Centrão Articularam a Queda do Aumento do IOF

Em um movimento rápido e bem articulado, deputados bolsonaristas aproveitaram o início das férias do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para desferir um golpe político no governo Lula. A estratégia, urdida nos bastidores, resultou na aprovação do requerimento de urgência para derrubar o decreto que aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A manobra não só acelerou o trâmite da proposta como expôs as fragilidades do Palácio do Planalto diante de uma Câmara dos Deputados cada vez mais hostil.

A votação, realizada nesta quarta-feira, foi um verdadeiro terremoto político: com 346 votos a favor, a oposição – reforçada pelo centrão e outras lideranças de direita – garantiu uma maioria esmagadora, bem acima dos 257 necessários. O placar não apenas enterrou, por ora, a tentativa do governo de aumentar a arrecadação para o Orçamento de 2025, mas também revelou rachaduras profundas na base aliada.

O Jogo nos Bastidores
Tudo começou nos corredores da Câmara, onde parlamentares bolsonaristas, percebendo a ausência de Haddad – que havia partido para recesso após meses de tensões fiscais –, aceleraram as negociações. O ministro foi peça-chave na defesa do aumento do IOF, articulando pessoalmente a medida. Sua saída, ainda que temporária, abriu uma janela de oportunidade que a oposição não hesitou em aproveitar.

Líderes do PL e Republicanos mobilizaram suas bancadas, enquanto nomes influentes do centrão – muitos deles com pastas no governo – fecharam questão a favor da urgência. O resultado foi uma rara demonstração de força da direita, que conseguiu unir desde bolsonaristas ferrenhos até parlamentares tradicionalmente pragmáticos.

Base Aliada Abandona o Governo
O mais preocupante para o Planalto, porém, foi o comportamento de partidos que integram sua própria base. União Brasil, PP, PSD e PDT – legendas que controlam oito ministérios – votaram maciçamente com a oposição. Apenas a federação PT-PV-PCdoB seguiu a orientação governista, ficando isolada no plenário.

O episódio escancarou a dificuldade do governo em manter a coesão de sua coalizão, especialmente quando medidas impopulares, como aumentos de tributos, entram em pauta. Para analistas, a derrota acachapante pode ser o prenúncio de crises maiores, já que o Executivo terá de negociar cada vez mais sob pressão.

O Que Vem Por Aí?
Com o trâmite acelerado, a proposta de derrubada do decreto deve ir a plenário nos próximos dias. Se aprovada, o aumento do IOF será revogado, frustrando os planos do Ministério da Fazenda de reforçar o caixa federal.

Enquanto isso, Haddad, ainda em recesso, assiste de longe ao desmonte de uma de suas principais apostas fiscais. Resta saber se, ao retornar, o ministro conseguirá reverter o cenário – ou se a ofensiva da oposição marcou apenas o primeiro round de uma batalha que promete esquentar nos próximos meses.

Uma coisa é certa: em Brasília, até mesmo um período de férias pode virar palco de uma guerra política.

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