Câmara de Pedro Gomes (MS) rompe trégua política e cobra ações urgentes na saúde após 100 dias de gestão

Os primeiros cem dias da gestão do prefeito Murilo em Pedro Gomes foram marcados por uma frágil trégua política, mas o cenário de aparente harmonia parece estar com os dias contados. Durante a sessão da Câmara Municipal desta segunda-feira (14/04/2025), vereadores de diferentes bancadas uniram-se para criticar a administração municipal, expondo graves deficiências na saúde pública: falta de medicamentos básicos – incluindo dipirona –, carência de copos descartáveis e até mesmo de papel higiênico em unidades de saúde. Situações absurdas, como pacientes obrigados a beber água com as mãos, foram relatadas.

E os problemas não param por aí.  As condições da Escola Arcangela – com salas de aula sem ar-condicionado, trazendo prejuízos ao desenvolvimento escolar das crianças, como pode uma administração permitir ou liberar aquele ambiente sem esse item básico de conforto, ainda mais nesta região de temperaturas elevadas que quase sempre se mantém acima dos 36 graus.

Autoridades da prefeitura tentam se justificar alegando que as denúncias são “intrigas da oposição para criar caos na cidade”, mas vereadores tanto da base governista quanto da oposição confirmaram os problemas após visitas a postos de saúde e ao hospital municipal. “De belas palavras em rádios locais e boas intenções, o pedrogomense já está cheio”, ironizou um morador durante a sessão, resumindo o descontentamento popular.

Além da saúde, as críticas atingiram obras públicas de drenagem e tapa-buracos. O presidente da Câmara criticou a empresa responsável pelos serviços, classificando-os como “desserviço à população”, e exigiu um serviço de qualidade e excelência, já que “é dinheiro do contribuinte que está sendo desperdiçado”.

Nos primeiros meses de governo, apenas um vereador se posicionava contra a  prefeitura. Agora, o grupo de descontentes já soma quatro, sinalizando uma ruptura crescente – e perigosa – entre os Poderes.

Em meio ao clima tenso, uma pequena luz: o Projeto de Lei Complementar 001/2025, de autoria da Mesa Diretora, foi aprovado e prevê o pagamento de plantões e sobreavisos para profissionais da saúde. A medida, no entanto, ainda depende da sanção do prefeito. Resta saber se a gestão terá recursos para custear essa despesa, uma vez que itens básicos – como copos descartáveis e papel higiênico – já faltam.

A pergunta que paira no ar é: quando as promessas se tornarão realidade? Se a prefeitura não agir com urgência, os cem dias de trégua podem dar lugar a um período de cobranças ainda mais duras. E, no final, quem paga o preço é a população.

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