Nenhuma mulher está segura. Essa é a verdade que muita gente tenta suavizar, mas os números e os corpos não deixam mentir.
Campo Grande amanheceu de luto nesta segunda-feira (6) com a confirmação do primeiro feminicídio de 2026. A vítima é a subtenente da Polícia Militar, Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos , uma mulher que dedicou a vida a proteger a sociedade e acabou sendo morta dentro da própria casa.
O crime aconteceu no bairro Estrela Dalva e foi confirmado pela delegada adjunta da DEAM, Analu Lacerda Ferraz.
Marlene atuava no Comando-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Era conhecida pelo profissionalismo, disciplina e anos de serviço prestados à segurança pública. Uma mulher forte, respeitada e, ainda assim, vulnerável dentro de um relacionamento.
O principal suspeito é o companheiro, de 50 anos, preso em flagrante. Eles estavam juntos há cerca de um ano e quatro meses e moravam sob o mesmo teto há apenas dois meses. Tempo suficiente para o que parecia ser um relacionamento se transformar em tragédia.
A Polícia Civil já trata o caso como feminicídio, e a investigação segue pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).
Mas aqui não dá pra fingir que é “mais um caso isolado”.
Não é.
É um padrão.
É o retrato de uma violência que cresce dentro de casa, longe das câmeras, onde muitas vítimas já haviam dado sinais, pedido ajuda ou simplesmente não conseguiram sair a tempo.
O mais duro? Nem farda, nem experiência, nem força impedem esse tipo de crime. Quando a violência vem de quem deveria proteger, o risco é ainda maior.
E enquanto isso, quantas Marlenes ainda estão vivendo relações silenciosamente perigosas?
Quantas estão sendo ignoradas?
Quantas só viram estatística depois que morrem?
O discurso de conscientização já não basta. Medidas frágeis não bastam. Promessas não bastam.
É preciso agir antes, e não só lamentar depois.
Campo Grande não pode normalizar isso.
Mato Grosso do Sul não pode aceitar isso.
Nenhuma mulher deveria viver com medo dentro da própria casa.
Mais uma vida interrompida.
Mais uma família destruída.
Mais uma prova de que o problema não é pontual, é estrutural.
Basta. Justiça por Marlene.
