A gestão do prefeito Delegado Murilo (PL), em Pedro Gomes (MS), inicia 2026 sob o peso de uma sequência de investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual (MPMS) e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS).
O discurso de rigor, ordem e moralidade administrativa, amplamente explorado durante a campanha eleitoral, agora enfrenta o teste da realidade institucional.
Nos bastidores do Paço Municipal, o cenário é de desconfiança, apurações formais e suspeitas graves, envolvendo desde licitações milionárias, passando por servidores fantasmas, até omissão ambiental.
Enriquecimento ilícito na Comissão de Licitação
Em agosto de 2025, o MPMS instaurou o Inquérito Civil nº 06.2025.00000808-0 para apurar possível enriquecimento ilícito do chefe da Comissão de Licitação da prefeitura — um dos cargos mais estratégicos de qualquer administração pública.
O foco da investigação é a evolução patrimonial do servidor, que, segundo o Ministério Público, pode não ser compatível com seus rendimentos oficiais.
A apuração atinge diretamente o coração do governo municipal: o setor responsável por autorizar e conduzir contratos públicos.
Até o momento, não houve esclarecimentos públicos consistentes por parte da prefeitura, o que lança sérias dúvidas sobre a transparência dos processos licitatórios da atual gestão.
Licitação de combustíveis sob suspeita
Outro episódio que expõe fragilidades administrativas remonta a 2023, quando o TCE-MS intimou a prefeitura por irregularidades em uma licitação de R$ 2,1 milhões para aquisição de combustíveis.
Segundo o Tribunal de Contas, foram identificados:
Ausência de pesquisa adequada de preços
Exigências restritivas, que podem ter limitado a concorrência
Falhas desse tipo não são meros erros formais. Elas comprometem a economicidade, ferem princípios da administração pública e levantam a pergunta que ecoa na cidade:
Quem se beneficia dessas contratações?
Servidores fantasmas: o cerco do MPC em 2026
Em janeiro de 2026, a situação se agravou. O Ministério Público de Contas (MPC) notificou oficialmente o prefeito para prestar esclarecimentos sobre denúncias de servidores fantasmas na estrutura municipal.
As acusações apontam para funcionários que:
Recebem salários regularmente
Não cumprem jornada de trabalho
Ou sequer exercem funções efetivas
A investigação também busca apurar se a prefeitura descumpriu Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados anteriormente e se a prática configura ato de improbidade administrativa.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, as consequências podem ser graves:
Dano direto ao erário
Responsabilização do gestor
Multas
E até risco de perda de mandato, conforme prevê a legislação
Queimadas, agrotóxicos e omissão ambiental
A herança administrativa de 2025 também cobra seu preço. O MPMS mantém inquéritos civis ativos para apurar:
Queimadas ilegais no município
Armazenamento irregular e queima de agrotóxicos
(Inquérito Civil nº 06.2025.00000818-6)
Embora parte das investigações recaia sobre propriedades rurais, cresce a cobrança sobre a omissão da prefeitura na fiscalização ambiental.
Para os órgãos de controle, a inércia do poder público pode configurar responsabilidade administrativa e judicial.
Em uma região frequentemente castigada por crimes ambientais, a falta de ação contradiz o discurso de eficiência e controle defendido pelo prefeito.
Gastos excessivos com manutenção
Outro ponto sob investigação é o Inquérito Civil nº 06.2024.00001096-7, que apura despesas consideradas excessivas com:
Pneus
Lubrificantes
Serviços elétricos
O Ministério Público busca esclarecer se houve má gestão, sobrepreço ou uso indevido de recursos públicos nos contratos de manutenção da frota municipal.
Um governo cercado por questionamentos
Somados, os procedimentos revelam um padrão preocupante: a atual administração é alvo simultâneo de investigações em áreas-chave como:
Licitações
Recursos humanos
Meio ambiente
Gastos públicos
O governo que prometeu “ordem” agora precisa explicar:
Quem fiscaliza os fiscais?
Onde está sendo aplicado o dinheiro público?
Por que tantas investigações avançam ao mesmo tempo?
O que está em jogo
Improbidade administrativa
Dano ao erário
Perda de credibilidade política
Risco jurídico ao mandato
A população de Pedro Gomes aguarda que a transparência prometida em campanha saia do discurso e chegue aos atos, com documentos públicos, respostas claras e medidas concretas.
Até lá, o que se vê é uma gestão acuada, sob vigilância constante dos órgãos de controle e cada vez mais distante do discurso moralizador que a elegeu.
