Em março de 2026, um assunto tem movimentado os bastidores da política e da segurança: a ideia do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, de classificar as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
Essa mudança vai muito além de um simples nome. Ela pode trazer consequências sérias para o Brasil e para a relação entre os dois países.
O governo americano diz que o crime organizado na América Latina deixou de ser um problema só desses países e virou uma ameaça para os Estados Unidos. A alegação é que facções como PCC e CV controlam rotas de drogas, ajudam no tráfico de fentanil e lavam dinheiro em território americano.
Por isso, na visão dos EUA, esses grupos merecem ser tratados da mesma forma que organizações como o Hezbollah e a Al-Qaeda.
Quem é a favor da medida diz que ela traria novas ferramentas para o combate ao crime:
Dinheiro rastreado: Qualquer banco no mundo que movimentar dinheiro dessas facções sofreria sanções dos EUA. Isso dificultaria a lavagem de dinheiro.
Mais troca de informações: Agências de inteligência dos EUA, como a CIA, poderiam compartilhar mais dados e tecnologia com o Brasil.
Extradição facilitada: Países vizinhos, como Paraguai e Bolívia, teriam mais pressão para entregar membros das facções à Justiça americana.
Porém, a ideia enfrenta muitos problemas, tanto na lei quanto na política:
No Brasil, a lei antiterrorismo exige que o crime tenha motivação política, religiosa ou ideológica. O PCC e o CV agem por lucro. Para mudar isso, seria preciso alterar a lei, algo que muitos juristas veem como perigoso, pois a nova regra poderia ser usada contra movimentos sociais.
O governo brasileiro teme que os EUA usem esse título como desculpa para agir sozinhos no Brasil, como fazer bombardeios na fronteira ou mandar tropas especiais sem autorização do país.
Empresas brasileiras que trabalham em áreas dominadas por facções, como portos e transportes, podem ser punidas pelos EUA se forem acusadas de ajudar esses grupos. Quem critica a medida lembra que os EUA já fizeram isso com cartéis de drogas no México, mas a violência e o tráfico não diminuíram.
O governo brasileiro, por meio do chanceler Mauro Vieira, tenta impedir essa classificação. Em troca, o Brasil propôs mudar a própria Constituição para reforçar o combate ao crime organizado sem precisar do rótulo de “terrorismo”.
A grande dúvida para os próximos meses é: será que o Brasil vai conseguir convencer os americanos de que consegue controlar as facções sozinho? Ou vai ter que aceitar a pressão de Washington para evitar sanções no comércio e na economia?
