A sessão da Câmara de Pedro Gomes teve de tudo… menos silêncio.
A sessão da Câmara Municipal de Pedro Gomes desta segunda-feira foi marcada por críticas diretas, troca de posicionamentos entre vereadores e questionamentos sobre prioridades da gestão municipal. Entre os assuntos mais comentados esteve a compra de uma camionete Toyota Hilux, adquirida pela prefeitura especialmente para uso da Secretaria de Obras.
O tema dominou boa parte das falas na tribuna e expôs diferentes visões entre os parlamentares.
“Cavalo dado não se olha os dentes”
O vereador Bidu destacou que, mesmo sendo oposição ao prefeito, o papel dos vereadores é trabalhar para garantir recursos ao município. Segundo ele, independentemente da origem das verbas ou emendas, o importante é que cheguem à cidade.
Durante sua fala, disparou o ditado:
“Cavalo dado não se olhas os dentes.”
Na prática, o vereador quis dizer que, chegando recursos ao município, a Câmara continuará fazendo sua parte para que esses valores sejam repassados ao Executivo e utilizados em obras e ações.
“Não devo nada à população”
O vereador Nicanor também usou a tribuna e deixou claro que não se preocupa com críticas ou com o fato de a imprensa “descer a lenha” em suas decisões.
Segundo ele, tem consciência do que fez pela população e afirmou:
“Não devo nada à população.”
Entre os trabalhos citados por ele está a reforma da feira, destacada como uma das ações que considera importantes dentro de sua atuação.
Crítica ao valor da camionete
Já o vereador Lobinho trouxe um ponto diferente ao debate. Ele afirmou que a prefeitura poderia ter optado por um veículo mais barato.
Para ele, não havia necessidade de adquirir uma camionete de alto valor.
Rudimar dispara críticas diretas
Quem também falou sem rodeios foi o vereador Rudimar, conhecido por não mandar recado.
Ele questionou diretamente a compra da camionete de luxo e afirmou que quem anda em veículos confortáveis muitas vezes não sente o impacto real das estradas do município.
Citou inclusive uma experiência pessoal:
Andar em uma “carro bom”, principalmente camionete “boa”, como quando esteve com um amigo em uma “Ram”, faz com que a realidade das estradas ruins seja menos sentida.
Rudimar destacou que o município possui vários veículos que poderiam ser recuperados e destinados à Secretaria de Obras. Segundo ele, outra alternativa seria a compra de um veículo mais simples.
Ele citou como exemplo:
“Poderia ser comprado uma estradinha.”
A lógica, segundo o vereador, seria economizar dinheiro público para investir em áreas mais necessitadas do município.
Luxo de um lado, carência do outro
A crítica acabou ecoando entre quem acompanhava a sessão. Afinal, enquanto a prefeitura investe em uma camionete Hilux considerada de alto padrão, muitas áreas da cidade enfrentam dificuldades.
E um detalhe chamou atenção: o veículo já chegou ao município e foi visto estacionado em frente à casa da filha do secretário de obras, algo que, segundo comentários feitos nos bastidores, já virou rotina.
Problemas na saúde também entram na pauta
Rudimar também direcionou parte de sua fala para a área da saúde.
Ele citou situações recorrentes em que moradores saem de suas casas em busca de atendimento e, ao chegarem aos postos, são orientados a procurar outra unidade.
Também foram mencionados problemas como:
troca de medicamentos
exames que não são realizados corretamente
pacientes que ficam sem solução imediata
Segundo ele, essa situação não é nova e vem sendo apontada desde o início do mandato do atual prefeito.
A crítica foi direta: se houvesse mais economia em certos gastos, como veículos de luxo, talvez fosse possível investir em capacitação e organização do atendimento nos postos de saúde.
Maninho defende o gestor
Durante a sessão, o vereador Maninho também se pronunciou.
Diferente de outros colegas, ele seguiu defendendo a gestão do prefeito. Em sua fala, reforçou uma frase que costuma repetir:
“Tem gente que quanto pior, melhor.”
A frase chamou atenção porque muitos ficaram sem entender exatamente o sentido da metáfora.
Afinal, surge uma pergunta inevitável:
quem desejaria o pior para a própria cidade?
A lógica simplesmente não parece fazer sentido.
Agressão a paciente gera preocupação
Outro ponto importante da sessão foi trazido pelo vereador Beto Quilombola.
Ele revelou uma situação preocupante que até então não era de conhecimento público.
Segundo o vereador, um paciente sofreu agressão no ponto onde pessoas aguardam os automóveis que transportam pacientes para Campo Grande. Pelas palavras dele, deu a entender que não se trataria de um caso isolado.
Beto destacou que não considera o local seguro para quem precisa esperar atendimento ou transporte médico.
Ele cobrou providências diretas do secretário de saúde e do prefeito Jorge (só para os íntimos), pedindo medidas urgentes para garantir segurança aos pacientes.
Devolução do duodécimo
Outro ponto importante que também merece destaque é que a Câmara Municipal realizou a devolução de parte do duodécimo ao Executivo, recurso que retorna aos cofres da prefeitura para ser investido em melhorias para a população.
Inclusive, os vereadores chegaram a registrar o momento da entrega do cheque ao Executivo.
E aí surge um questionamento inevitável: será que todo esse dinheiro já foi utilizado?
Até o momento, muitos moradores dizem não ver resultados concretos desses recursos devolvidos pela Câmara.
Curiosamente, os ataques e críticas feitas por outro veículo de comunicação da cidade também não mencionam esse valor devolvido pelos vereadores ao Executivo, algo que também faz parte da realidade política e administrativa do município.
Presidente da Câmara critica matéria ofensiva
Para encerrar a sessão, o presidente da Câmara, vereador Reges, abordou um assunto delicado.
Ele comentou sobre uma matéria publicada por outro veículo de comunicação da cidade que teria ironizado vereadores que já enfrentaram graves problemas de saúde.
Entre os casos citados:
Vereador Tetê, que já foi pisoteado na cabeça e precisou passar por cirurgia
Vereador Rudimar, que sofreu um acidente e realizou cirurgia delicada no abdômen
Vereador Sandoval, que recentemente passou por uma longa cirurgia na cabeça
Reges afirmou que o conteúdo da matéria não o agradou e considerou a abordagem desrespeitosa com os colegas de tribuna.
Ele deixou um recado claro:
“Um dia pode ser um de nós.”
Nos bastidores, também circula a informação de que parte dessas críticas teria surgido após o prefeito negar uma diária para viagem a Brasília a um de seus assessores, o que teria gerado irritação e acabado respingando nos vereadores, que, na prática, não teriam relação direta com a situação.
Regimento da Câmara também foi lembrado
Na saída da sessão, outro episódio chamou atenção.
O presidente da Câmara chamou a atenção de um assessor do prefeito pela forma como estava vestido, considerada inadequada para o ambiente do Legislativo.
Ele orientou o assessor sobre o regimento interno da Casa, que estabelece regras de vestimenta para quem frequenta o local.
Vale lembrar que, na Câmara, não é permitido entrar de shorts, chinelo ou roupas consideradas inadequadas para o espaço institucional.
Fica a dica para quem esteve por lá hoje nessas condições.
Uma sessão pesada e uma pergunta no ar:
A sessão desta segunda-feira mostrou uma Câmara dividida, com críticas diretas, questionamentos sobre prioridades da gestão e preocupações sérias envolvendo saúde pública e respeito institucional.
Entre camionete de luxo, denúncias de problemas na saúde, devolução de recursos ao Executivo e debates acalorados, uma coisa ficou evidente: o clima na política local está longe de ser tranquilo.
E depois de tudo que foi dito na tribuna hoje, fica a pergunta que não quer calar:
quem vai dormir com a consciência tranquila esta noite?
