Hospital de Pedro Gomes (MS): Excelência Individual x Falhas Coletivas – Quando o Protocolo é Ignorado, Todos Perdem

O Hospital Municipal de Pedro Gomes vive um paradoxo: enquanto parte de seus funcionários se destaca pela dedicação, a ausência de um protocolo de atendimento claro e fiscalizado permite que erros pontuais manchem a reputação de toda a equipe. O caso mais recente, ocorrido na madrugada do dia 13/07, expõe uma realidade que a população já conhece bem: a linha entre o descuido e a tragédia é tênue, e parece ser ignorada pela gestão.

O Pesadelo da Madrugada
Por volta das 3h, um homem de 45 anos começou a passar mal em sua residência. Familiares ligaram repetidas vezes para o hospital em busca de socorro. Nenhuma resposta. Sem alternativas, transportaram-no em um carro particular que foi ao auxilio dessa família, até a unidade de saúde. O que encontraram foi longe do acolhimento mínimo: o paciente, já em estado crítico, foi colocado de qualquer maneira em uma cadeira de rodas, incapaz de se manter sentado, e deixado à espera sem assistência. Horas depois, veio o diagnóstico: um derrame. Hoje, ele não movimenta as pernas, mas sobrevive – por sorte, não por estrutura.

Entre a Excelência e o Caos
Funcionários ouvidos sob anonimato admitem: há profissionais comprometidos, mas a desorganização é sistêmica. “Alguns se esforçam para compensar a falta de treinamento e supervisão, mas quando um colega erra, todo o time paga o preço”, desabafa uma enfermeira. O problema, segundo relatos, não é apenas a falta de recursos, mas a ausência de padrões rígidos. Não há checklist para emergências, nem responsabilização por falhas como o telefone sem resposta – um descumprimento gravíssimo do dever básico de um hospital.

Gestão na Mira
A pergunta que ecoa entre os moradores é: até quando as autoridades fingirão desconhecer o problema? A secretária de saúde e o prefeito, frequentemente surpreendidos pelas denúncias da imprensa, mantêm o mesmo discurso: “Vamos apurar”. Enquanto isso, histórias como a do homem abandonado na cadeira de rodas se repetem. Vereadores pressionam o executivo para resolver os problemas com a maior urgência, e a população exige respostas: “Isso não é incompetência, é negligência. E negligência mata”, cobra uma liderança comunitária.

O Chamado da Justiça
O Ministério Público já foi acionado para investigar as condições do hospital. Para os moradores, a esperança é que a Justiça faça o que a gestão não consegue – ou não quer – fazer: impor ordem, punir os responsáveis por falhas recorrentes e, acima de tudo, salvar vidas que ainda podem ser perdidas pelo mesmo descaso.

Enquanto isso, o hospital segue de portas abertas, mas com um risco invisível pairando sobre seus corredores: o de que, um dia, o “pior” já não seja um alerta, mas uma mancha irreversível.

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