MS sob Cerco: A Radiografia de um Estado Loteado pela Corrupção

O balanço de 16 operações deflagradas pelo Gaeco e Gecoc entre 2025 e 2026 desenha mais do que um roteiro policial; ele traça uma geografia da omissão partidária em Mato Grosso do Sul. Quando prefeituras de diferentes siglas apresentam o mesmo “DNA de fraude”, fica claro que a corrupção não é um acidente de percurso, mas um componente sistêmico que os partidos políticos preferem ignorar.

A sigla que comanda o Estado e o maior número de prefeituras é também a mais impactada numericamente. O caso mais emblemático é Terenos, onde o prefeito Henrique Budke (PSDB) foi preso e afastado na Operação Spotless. O PSDB também aparece no centro das investigações em Rio Negro, onde a Operação Cartas Marcadas mira gestões tucanas por desvios de R$ 9 milhões.

O silêncio do diretório estadual tucano diante de tais evidências soa como uma anuência tática. Ao não aplicar medidas disciplinares severas, o partido transforma-se em um porto seguro para o uso indevido da máquina pública.
PP e MDB: A Velha Política em Novos Inquéritos.

A crítica não se limita a um lado do espectro. Em Coxim, a Operação Lucro Certo atingiu em cheio a gestão de Edilson Magro (PP), investigando desvios de R$ 1,5 milhão em contratos de advocacia. Já em Corguinho, o cerco da Operação Cartas Marcadas também alcançou figuras ligadas ao MDB.

Essas legendas, que historicamente disputam o protagonismo no interior, parecem convergir em um ponto: a fragilidade de seus controles internos. Onde estão os conselhos de ética desses partidos? Por que figuras que respondem por operações como a “Tromper” ou “Dirty Pix” continuam ditando os rumos das executivas municipais?

As operações “Apagar das Luzes” (Campo Grande) e “Ad Blocker” (Aquidauana) mostram que a corrupção é indiferente a ideologias: ela flui por onde há verba e pouca vigilância. No entanto, é o partido político que carimba a candidatura e oferece a legenda. Quando um partido ignora que seus filiados estão operando esquemas de empresas de fachada e superfaturamento, ele se torna cúmplice moral do desfalque.

Enquanto houver a convicção de que o partido protegerá o “seu” prefeito a qualquer custo, o Gaeco continuará sendo a única barreira entre o cofre público e a ganância. O cidadão sul-mato-grossense não deve apenas cobrar a punição do CPF envolvido, mas exigir transparência do CNPJ partidário que, na hora da eleição, jura compromisso com a ética.

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