O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026 tornou-se o epicentro de uma crise que vai muito além das notas dos jurados, expondo a linha tênue onde a liberdade de expressão cultural esbarra na legislação eleitoral.
A escola, que subiu ao Grupo Especial com a promessa de uma homenagem histórica a Luiz Inácio Lula da Silva com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, deixa a elite do samba apenas um ano após sua ascensão. Para muitos críticos, o projeto nasceu “errado do início ao fim”, pois transformou a passarela em um palanque político financiado com verba pública em pleno ano de eleição presidencial.
Enquanto a agremiação defende que o desfile foi uma exaltação legítima a uma figura popular e que sofreu uma “perseguição política” sem precedentes, juristas e parlamentares de oposição acionaram o TSE e a Justiça Federal, apontando para o que classificam como abuso de poder político e econômico.
A grande polêmica reside no contraste de opiniões sobre a finalidade da festa:
A Visão Técnica: Especialistas em Carnaval apontam que a queda não foi ideológica, mas sim reflexo de falhas graves de execução, como a queda de parte de uma alegoria e problemas de evolução.
A Visão Crítica: O jornalista Rodolfo Schneider e outros analistas argumentam que o desfile desvirtuou o sentido do Carnaval, servindo como propaganda eleitoral antecipada.
O Veredito da Sapucaí: O público presenciou um desfile polarizado, onde o “apoio popular” nas arquibancadas não foi suficiente para mascarar a falta de notas 10 em quesitos básicos.
O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói sela um capítulo amargo onde a política “engoliu” o brilho da pluma. Se por um lado a escola se diz vítima de censura, por outro, o rigor da apuração e as mais de 12 ações judiciais sugerem que o Carnaval não pode ser um salvo-conduto para contornar as regras do jogo democrático. Em 2026, a Sapucaí não julgou apenas o samba, mas a tentativa de transformar a cultura em ferramenta de campanha.
