A cena era clássica, quase um romance de Domésticos Anônimos: a polícia chegou à residência do casal mais apaixonado de Pedro Gomes – ou, pelo menos, do mais reincidente nos boletins de ocorrência. Desta vez, a discussão conjugal havia evoluído para um espetáculo multimídia: socos no rosto (edição especial marido bravo), facadas na perna (para dar aquele toque dramático) e, claro, o celular da vítima arremessado contra a parede – porque nada diz “eu te amo” como destruir o único meio que ela teria de pedir socorro.
A vítima, M.F.S., já conhecia o roteiro. Tanto que, há exatos 15 dias, decidiu dar uma chance ao amor verdadeiro e retirou a medida protetiva contra o marido, J.F.O. – porque, afinal, quem nunca acreditou na redenção de um agressor reincidente? Spoiler: deu errado. Deu tão errado que, em poucos dias, ela estava no hospital, fazendo exame de corpo de delito, enquanto ele fazia o tour clássico: delegacia, flagrante e uma estadia gratuita no hotelzinho da PC.
Os policiais, comovidos com tamanha demonstração de afeto violento, conduziram o casal com a delicadeza de quem lida com uma bomba-relógio – que, no caso, era exatamente o que J.F.O. representava. Enquanto M.F.S. enchia a ficha da delegacia (de novo), o marido aguardando sua vez para se apresentar diante do juiz, que certamente ficara encantado com seu histórico de gentilezas conjugais.
E assim, mais um capítulo da saga “Ela Perdoa, Ele Agride, a Polícia Atende” se encerra em Pedro Gomes. Moral da história? Se um dia você achar que o amor tudo supera, lembre-se: às vezes, o que ele supera é sua paciência, sua integridade física e, claro, a parede onde seu celular vai acabar estraçalhado.
Fim. (Ou até a próxima medida protetiva revogada.)
