Na última segunda-feira, a Câmara Municipal de Pedro Gomes proporcionou um verdadeiro show de horrores, digno das melhores comédias de teatro. Tudo começava em um clima de harmonia, com o prefeito Murilo em sua tribuna, fazendo um apelo quase poético por união entre os poderes. Os vereadores, em um momento de rara sintonia, declaravam apoio a projetos que prometiam contribuir para o bem-estar da comunidade. Até aí, tudo parecia uma linda pintura.
Mas, como diz o ditado, “a calma sempre precede a tempestade”. E quem melhor para provocar essa tempestade do que o nosso inconfundível Dom Quixote local? Sim, o vereador que não resiste a uma boa polêmica subiu ao palco e, com a dramaticidade que lhe é peculiar, atacou novamente. Desta vez, mirou em dois de seus colegas, que, segundo ele, conseguiram a irrisória quantia de R$ 100.000,00 junto a um deputado federal. Para ele, um valor insignificante para um político de tal envergadura.
Pasmem, caros leitores! O que parece ser uma crítica pertinente logo se transformou em um verdadeiro show de desinformação. O que Dom Quixote ignorou (ou decidiu convenientemente esquecer) foi que a verba mencionada não vinha de um deputado federal, mas sim de um deputado estadual. Acordou do carnaval ou simplesmente esqueceu de tomar o remédio prescrito? As hipóteses estão em aberto.
E como se não bastasse, ao criticar um dos secretários do executivo, o vereador recebeu um contra-ataque digno de aplausos. A esposa do secretário, visivelmente indignada, gesticulava furiosamente na direção do nobre vereador, que conseguiu quebrar a monotonia das sessões com sua habitual indelicadeza. A mulher só não partiu para as vias de fato graças ao cercado que separa a plateia da mesa das autoridades, uma verdadeira barreira entre o raso e o profundo.
A cada sessão, a Câmara de Pedro Gomes parece mais um palco de teatro do absurdo, onde alguns dos seus integrantes nos lembram que nunca deveriam ter ocupado tão importante representação. E assim, mais uma vez, a população se vê diante de um espetáculo que mistura risadas e vergonha, refletindo o que há de pior em nosso legislativo. Que venha a próxima sessão, porque o show não pode parar!