Com a intermediação do governador de São Paulo e forte pressão do setor produtivo, a senadora sul-mato-grossense (PP-MS) sinaliza abertura para compor a chapa do PL, em um movimento que reconfigura as alianças no campo da direita.
Em uma reviravolta política nas negociações para a sucessão presidencial, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) admitiu a interlocutores e aliados a possibilidade de compor a chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidata a vice-presidente.
A reaproximação ocorre após uma ostensiva ofensiva liderada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e por lideranças do agronegócio e do empresariado nacional.
A consolidação da chapa, no entanto, ainda depende do aval oficial dos diretórios regionais e da cúpula nacional do Progressistas (PP) e do União Brasil, partidos que formam bloco decisivo no Congresso e mantêm divergências internas quanto ao embarque formal na candidatura do PL.
A articulação ganhou tração após uma ligação direta de Tarcísio de Freitas para o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI). A iniciativa buscou remover as resistências de Tereza Cristina, que até então priorizava a disputa pela presidência do Senado na próxima legislatura.
Apesar da parlamentar ressaltar publicamente que “qualquer composição depende de acertos partidários e avaliações políticas”, aliados diretos garantem que a ex-ministra da Agricultura se colocou à disposição do projeto, desde que haja construção pacificada entre as legendas de centro e centro-direita.
Por que Tereza Cristina é a “vice dos sonhos”? Eixo Estratégico e Impacto na Chapa de Flávio Bolsonaro, Ponte com o Agrobusiness e conhecida como a “Rainha do Agro”, traz respaldo automático do PIB agropecuário e do setor produtivo, reduzindo ruídos de mercado.
O eleitorado feminino ajuda a abrandar a rejeição de Flávio e do eleitorado conservador rígido entre as mulheres. Sua articulação com o Centrão atuando como fiadora da aliança entre PL, PP e União Brasil no Congresso.
Como tem mandato no Senado até 2030, não perde o cargo caso a chapa saia derrotada nas urnas.
A eventual confirmação de Tereza Cristina afasta o fantasma do isolamento político do PL, que enfrentava dificuldades para fechar coligações nacionais formais. Sem ela, o partido correria o risco de recorrer a uma chapa “puro-sangue” (com outro nome do próprio PL), o que limitaria o tempo de propaganda em rádio e TV e a capilaridade nos estados.
Ao agir diretamente como articulador da chapa, Tarcísio reforça sua liderança como o principal “padrinho” do projeto da centro-direita paulista e nacional, mantendo-se no Governo de São Paulo enquanto projeta influência direta no Palácio do Planalto.
O maior obstáculo imediato permanece no interior do PP e do União Brasil. Enquanto a bancada do Sul e Centro-Oeste apoia a adesão integral a Flávio Bolsonaro, alas do Nordeste e governadores do União Brasil pressionam pela neutralidade no primeiro turno ou acordos regionais independentes.

