O avanço rápido das plantações de eucalipto na região leste de Mato Grosso do Sul virou alvo de uma investigação do Ministério Público Estadual (MPMS). A 1ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas abriu um inquérito civil para descobrir se a expansão dessa atividade, focada na produção de celulose, está causando estragos no meio ambiente, especialmente na água, nas plantas e nos animais locais.
A investigação começou após denúncias de moradores e pesquisadores chegarem à Ouvidoria do MP e à Assembleia Legislativa. Relatórios técnicos entregues aos promotores acendem um alerta preocupante: mais de 400 nascentes e riachos podem ter sido danificados ou secado na região, principalmente em áreas de assentamentos rurais nos municípios de Três Lagoas e Selvíria.
O grande receio de quem vive e estuda a região é o alto consumo de água. O eucalipto é plantado em grandes áreas de Cerrado (uma vegetação que já é naturalmente mais seca) e precisa de muita água para crescer, assim como as fábricas precisam de volumes gigantescos para transformar a madeira em celulose. A suspeita é que esse ritmo esteja alterando o ciclo natural da chuva e da terra, secando córregos importantes.
Além do problema da água, o Ministério Público quer entender o tamanho do impacto sobre os animais e as plantas nativas, que perdem espaço quando a vegetação original é substituída por fileiras intermináveis de uma única espécie de árvore (a chamada monocultura).
O que acontece agora?
O MPMS começou a vistoriar a região para medir os estragos atuais e calcular os riscos para o futuro. O órgão também vai fiscalizar de perto as gigantes da celulose instaladas no estado para ver se elas estão cumprindo as leis ambientais.
Os promotores vão analisar se as licenças ambientais e as autorizações para puxar água dos rios estão em dia, além de checar se as empresas estão cumprindo as contrapartidas e medidas de proteção exigidas pelos órgãos ambientais do governo estadual (Imasul e Semadesc).

