A trajetória de Alcides Bernal foi marcada por uma rápida ascensão como um fenômeno eleitoral carismático, que acabou interrompida por graves crises políticas e, anos mais tarde, resultou em sua prisão por um crime de homicídio triplamente qualificado.
Natural de Corumbá, ele iniciou sua vida pública amparado pela grande popularidade que conquistou como advogado e radialista de rádio e televisão.
O Início Promissor e o Fenômeno Eleitoral, sucesso na comunicação: Bernal utilizou o microfone do rádio para se aproximar das demandas populares, o que serviu de trampolim para a sua entrada na política partidária.
Elegeu-se vereador de Campo Grande por dois mandatos consecutivos (2004 e 2008). Em 2010, deu um passo maior ao conquistar uma cadeira como deputado estadual.
Vitória avassaladora em 2012: Consolidou-se como a principal força política da capital ao vencer a disputa pela prefeitura com uma votação histórica. No segundo turno, recebeu 62,55% dos votos válidos (270.927 votos), desbancando grupos políticos tradicionais da região.
A primeira cassação da história local: Menos de dois anos após assumir o cargo, em 2014, Bernal teve o mandato cassado pela Câmara Municipal por 23 votos a 6. O processo foi motivado por denúncias de irregularidades em contratações emergenciais sem justificativa.
A reviravolta judicial: Em agosto de 2015, após um ano e cinco meses afastado, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou seu retorno imediato ao cargo por reconhecer ilegalidades na votação dos vereadores. Ele governou até o fim do mandato, em dezembro de 2016.
Ao tentar a reeleição em 2016, Bernal não conseguiu repetir o sucesso do passado e ficou de fora do segundo turno, terminando a disputa em terceiro lugar. A partir daí, enfrentou condenações judiciais que o deixaram inelegível e o afastaram dos holofotes políticos por anos.
O estopim da tragédia: Em março de 2026, Bernal reapareceu nos noticiários, mas dessa vez nas páginas policiais. Ele se envolveu em uma violenta disputa pela posse de uma mansão no bairro Jardim dos Estados. O imóvel, que havia pertencido ao ex-prefeito, foi a leilão devido a dívidas de financiamento e IPTU, sendo arrematado pelo servidor público aposentado Roberto Carlos Mazzini.
Monitorando o local, Bernal foi até o imóvel armado ao saber que Mazzini estava lá com um chaveiro para tomar posse da residência. De acordo com as investigações e imagens de câmeras de segurança, o ex-prefeito surpreendeu a vítima e disparou duas vezes, fugindo em seguida sem prestar socorro.
Horas após o crime, Bernal entregou-se à polícia. Ele foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma e invasão de domicílio, tendo sua ida a júri popular decretada pela Justiça. Abalado por graves problemas de saúde na prisão, sofreu infartos sucessivos e faleceu sob custódia, encerrando sua trajetória sem que o julgamento fosse concluído.

