Cadastro de criminosos sexuais em MS avança e gera debate sobre segurança e exposição pública

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A criação do Cadastro Estadual de Pessoas Condenadas por Crimes Sexuais em Mato Grosso do Sul voltou ao centro do debate político e jurídico após a aprovação da proposta na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). O projeto é de autoria do deputado estadual Coronel David, do Partido Liberal (PL), e prevê a divulgação de informações de condenados por crimes sexuais com sentença definitiva.

A proposta cria um banco de dados estadual administrado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), reunindo informações como:

nome completo;

fotografia frontal;

características físicas;

idade;

histórico criminal;

tipo de crime cometido.

Segundo o texto aprovado, apenas pessoas condenadas com trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso, poderão entrar no cadastro.

Como o cadastro vai funcionar

O sistema terá dois níveis de acesso. Parte das informações ficará disponível ao público no site da Sejusp, principalmente identificação e fotografia dos condenados. Já o conteúdo completo será restrito às autoridades de segurança e órgãos de proteção, como:

Polícia Civil;

Polícia Militar;

Ministério Público;

Poder Judiciário;

Conselhos Tutelares.

A legislação também determina que informações das vítimas permaneçam totalmente protegidas, proibindo qualquer identificação que possa expô-las.

Outro ponto previsto é a possibilidade de retirada do nome do cadastro após o cumprimento integral da pena. O condenado poderá solicitar exclusão à Sejusp, que terá prazo de até 60 dias para analisar o pedido.

Coronel David defende “proteção às famílias”

Durante a tramitação da proposta, Coronel David afirmou que o objetivo é ampliar instrumentos de prevenção e segurança pública em Mato Grosso do Sul.

O parlamentar argumenta que a população tem o direito de saber quando criminosos sexuais condenados vivem próximos de escolas, bairros residenciais ou áreas frequentadas por crianças e adolescentes.

Coronel David · 1

A proposta também segue uma linha já defendida anteriormente pelo deputado, que havia apresentado projetos ligados à criação de banco estadual de pedófilos.

Projeto gera discussão jurídica

Apesar do apoio de parte da população e de parlamentares ligados à segurança pública, o cadastro também provoca questionamentos jurídicos.

Especialistas apontam possíveis debates constitucionais envolvendo:

exposição pública após cumprimento da pena;

direito à ressocialização;

risco de perseguição e justiça com as próprias mãos;

conflito com garantias individuais previstas na Constituição.

Mesmo assim, defensores do projeto afirmam que a medida segue modelos semelhantes já adotados em outros países, principalmente nos Estados Unidos, onde existem legislações conhecidas como “Lei de Megan”, criadas para monitoramento de criminosos sexuais condenados.

Quando a lei entra em vigor

O projeto foi aprovado pela ALEMS e transformado na Lei Estadual nº 6.586. A norma prevê prazo de 30 dias para entrar em vigor após a publicação oficial.

Com isso, Mato Grosso do Sul passa a integrar o grupo de estados brasileiros que adotam mecanismos estaduais específicos para monitoramento de condenados por crimes sexuais.

Legenda sugerida:

Projeto de autoria do deputado estadual Coronel David (PL) cria cadastro estadual com informações de condenados por crimes sexuais em Mato Grosso do Sul.

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