O Abismo entre o Discurso de Riedel e a Realidade do Funcionalismo

O atual governo de Mato Grosso do Sul, sob a batuta de Eduardo Riedel, parece ter dominado a arte da propaganda política em detrimento da gestão humanizada. Enquanto peças publicitárias tentam vender a imagem de um gestor que prioriza o funcionalismo público, os números e a revolta nos corredores do Parque dos Poderes contam uma história bem diferente: a de um projeto de continuidade que aprofunda o abismo salarial iniciado na gestão de seu antecessor e padrinho político, Reinaldo Azambuja.
A estratégia de “marketing da valorização” não é nova. Durante os oito anos de Reinaldo Azambuja, os servidores amargaram períodos de reajuste zero ou índices que mal cobriam a inflação acumulada. Riedel, que foi peça-chave daquela engrenagem como secretário, herdou e refinou essa política de “migalhas”. Recentemente, o envio de um projeto de lei com reajuste de apenas 3,81% — índice inferior ao aumento do salário mínimo — foi recebido como um tapa na face de categorias que acumulam uma defasagem salarial superior a 40% em alguns setores.
Para o Fórum dos Servidores Públicos, o que o governo chama de “reajuste” é, na verdade, uma política de achatamento salarial deliberada. Enquanto o Executivo celebra isenções bilionárias para grandes grupos empresariais, nega recomposição digna a quem sustenta a saúde, a segurança e a educação do estado.
O resultado dessa asfixia financeira é trágico: o superendividamento. Estima-se que as dívidas dos servidores sul-mato-grossenses ultrapassem a cifra astronômica de R$ 7 bilhões, valor que equivale a quase um ano de toda a folha salarial do Executivo. Mais de 42 mil famílias vivem hoje reféns de juros abusivos e empréstimos consignados, empurradas para o abismo pela falta de uma política salarial real.
Soma-se a isso a total ausência de diálogo. Entidades sindicais relatam dificuldades extremas em conseguir audiências com o governador para debater pautas críticas, como o déficit na Previdência Estadual e as distorções nas carreiras. O governo prefere o monólogo das redes sociais ao debate franco com os representantes dos trabalhadores.
Eduardo Riedel parece confiar cegamente em índices de aprovação genéricos, mas ignora que o funcionalismo é o coração da máquina pública e um formador de opinião decisivo. A crescente insatisfação, aliada à percepção de que o governo prioriza comissionados com reajustes que chegam a 140% enquanto impõe perdas aos servidores de carreira, cria um cenário de alto risco para sua tentativa de reeleição em 2026.
Se o governador continuar a governar de costas para o servidor, poderá descobrir, tarde demais, que a imagem construída pelo marketing não resiste à realidade do bolso vazio. O funcionalismo já deu o recado: promessas não pagam contas, e a omissão de hoje será a derrota de amanhã.

Nossas Redes Sociais