Gestão Cassiano Maia concentrou mais de R$ 6 milhões em contratos de publicidade em 2025; no mesmo período, moradores de diferentes regiões seguem convivendo com problemas de drenagem e ruas intransitáveis durante as chuvas
Enquanto a Prefeitura de Três Lagoas destinou, em contratos firmados em 2025, mais de R$ 6 milhões para publicidade, moradores de diferentes bairros continuam enfrentando um problema que se repete a cada período de chuva: ruas tomadas pela água, dificuldade de acesso e prejuízos dentro das próprias casas.
Somados aos R$ 3.736.074,06 registrados em despesas de publicidade pela Câmara Municipal, os valores relacionados à comunicação institucional dos dois poderes chegam a R$ 9.736.074,06.
A cifra corresponde a aproximadamente 6 mil salários mínimos de R$ 1.621.
Milhões na publicidade, problemas antigos nas ruas
Os registros dos últimos meses mostram que os alagamentos continuam fazendo parte da realidade de moradores de Três Lagoas.
Em fevereiro de 2026, uma forte chuva atingiu diversos bairros. No Jardim Alvorada, a água chegou a quase dois metros de altura em um imóvel, próximo ao padrão de energia. Moradores também relataram prejuízos e perda de móveis.
Em junho, a própria Prefeitura informou que o município havia acumulado mais de 200 milímetros de chuva em três dias, provocando danos em vias públicas. Uma cratera chegou a se abrir na Rua Manoel Faria Duque, em uma região que passava por obras de drenagem.
Em setembro, novos registros mostraram estudantes enfrentando dificuldade para deixar uma escola devido ao acúmulo de água em uma via da Vila Nova.
A cidade mostrada na publicidade e a cidade vivida pelo morador
É nesse contraste que os números ganham dimensão.
De um lado, milhões de reais destinados à divulgação institucional da administração.
Do outro, moradores que, diante de determinados temporais, enfrentam ruas praticamente intransitáveis e precisam encontrar maneiras alternativas de circular.
Recentemente, imagens divulgadas nas redes sociais voltaram a mostrar a situação precária enfrentada por moradores em áreas atingidas pelas chuvas. Os registros colocaram em evidência uma realidade que não aparece apenas em balanços, campanhas institucionais ou divulgações de obras: a experiência de quem precisa atravessar essas ruas quando a água toma conta dos bairros.
Os problemas de drenagem, entretanto, não começaram na atual administração. Há registros de alagamentos em Três Lagoas há anos. A própria Prefeitura reconhece que obras de drenagem e macrodrenagem fazem parte das medidas necessárias para reduzir os impactos das chuvas.
O contraste que os números deixam
A gestão Cassiano Maia fechou 2025 com mais de R$ 6 milhões em contratos de publicidade.
Ao mesmo tempo, problemas de infraestrutura urbana continuam sendo registrados por moradores e documentados durante episódios de chuva.
Não se trata de comparar diretamente publicidade com obras de drenagem — são despesas de naturezas diferentes e possuem previsões orçamentárias próprias.
Mas os números ajudam a dimensionar uma realidade que está no cotidiano da população: enquanto milhões são destinados para comunicar as ações do poder público, parte dos moradores ainda enfrenta problemas básicos de mobilidade e drenagem quando a chuva chega.
E essa é a Três Lagoas que também precisa aparecer: a cidade real, vivida por quem enfrenta a lama, a água e as ruas intransitáveis depois que a chuva termina.

