Alunos da Escola Estadual Cleuza Teodoro, de Pedro Gomes(MS), participaram de uma visita técnica em São Gabriel do Oeste(MS) para conhecer de perto a cadeia produtiva da avestruz. Acompanhados pelo professor Ézio Rezende, os estudantes acompanharam o processo que vai do manejo do animal até a transformação do couro em botas e produtos de alto valor agregado. A atividade mostrou, na prática, como funciona uma cadeia industrial onde praticamente tudo é aproveitado e convertido em economia.
A experiência teve caráter educativo e econômico ao mesmo tempo, aproximando o conteúdo escolar da realidade produtiva do Mato Grosso do Sul e mostrando como o agronegócio e a agroindústria se conectam no interior do Estado.
Durante a visita, uma das alunas resumiu a experiência ao destacar o nível de aproveitamento do sistema: “Fiquei impressionada com o aproveitamento de quase 100% do animal. Tudo na avestruz é utilizado.”
Como funciona a produção de avestruz
A atividade é chamada de ranicultura de avestruz ou simplesmente estrutiocultura.
Ela envolve três etapas principais:
Reprodução
Engorda
Abate e processamento
Os animais são criados em áreas abertas, com manejo controlado, alimentação balanceada e acompanhamento sanitário rigoroso.
2) Reprodução (ponto-chave do sistema)
O ciclo reprodutivo é o que determina a rentabilidade:
Macho pode acasalar com várias fêmeas (sistema poligâmico)
Uma fêmea pode botar em média 40 a 100 ovos por ano
Incubação dura cerca de 42 dias
O macho tem papel ativo: ele protege o ninho e ajuda a cuidar dos filhotes em muitos sistemas de criação
A taxa de sobrevivência dos filhotes depende muito de manejo técnico. Em sistemas bem estruturados, o índice sobe bastante.
3) Aproveitamento econômico (onde está o dinheiro)
Carne
Magra, com baixo teor de gordura
Valor agregado alto em mercados gourmet e fitness
Ainda é nicho no Brasil, mas tem demanda crescente
Couro (o mais valioso na prática)
Extremamente resistente
Textura com “bolinhas” naturais (folículos das penas)
Usado em artigos de luxo: botas, bolsas, cintos
É aqui que entra o que você citou: fábrica de botas de couro de avestruz em São Gabriel do Oeste. Esse tipo de produção depende justamente da pele de alta qualidade e acabamento artesanal/industrial.
Couro de avestruz: por que é tão valioso
O couro de avestruz é considerado um dos mais nobres do mercado mundial de peles por três fatores principais:
Alta resistência mecânica (durabilidade acima da média)
Elasticidade natural (não racha com facilidade)
Textura exclusiva com “pontos” naturais, formados pelos folículos das penas
Essas características fazem o material ser direcionado para o mercado premium: botas, cintos, bolsas e peças de moda de alto padrão.
Em São Gabriel do Oeste, esse couro abastece uma fábrica de calçados que transforma a matéria-prima em produto final com alto valor agregado.
Do couro à bota: processo industrial exige precisão
Após o processamento do animal, a pele é retirada com cuidado para preservar sua textura natural — característica determinante para o valor comercial. Em seguida, é conservada rapidamente com sal ou refrigeração para evitar deterioração.
No curtume, o material passa por etapas de limpeza e reidratação, seguidas do curtimento, processo químico responsável por estabilizar o couro e garantir resistência e flexibilidade.
Depois, ocorre o tingimento e acabamento, onde são aplicadas cores e tratamentos que valorizam o aspecto natural do material. Em seguida, o couro é seco, prensado e cortado sob medida para a produção de calçados.
Na etapa final, a indústria calçadista realiza a montagem das peças, transformando o couro em botas e produtos de luxo destinados a um mercado restrito e de alto valor agregado.
Aproveitamento integral do animal
Ovos
São grandes, podem pesar até cerca de 1,5 kg cada
Além da incubação para reprodução, também podem ser usados na alimentação e até em artesanato (casca decorativa)
Penas
Têm valor comercial e são usadas em:
Moda e decoração
Acessórios
Materiais de limpeza industrial (por serem leves e antiestáticas)
Gordura
Processada para uso cosmético e produtos dermatológicos
Ossos e subprodutos
Podem ser aproveitados para produção de farinha e insumos industriais em sistemas de aproveitamento integral
Resumo da lógica produtiva
O modelo da avestruz funciona com foco em maximizar o aproveitamento econômico:
Reprodução define escala
Carne e couro geram maior valor direto
Ovos garantem continuidade do plantel
Penas, gordura e ossos reduzem desperdício e aumentam rentabilidade
Na prática, trata-se de uma cadeia onde praticamente tudo é convertido em algum tipo de produto ou insumo econômico.
Impacto educacional e regional
A visita técnica dos alunos da Escola Estadual Cleuza Teodoro, de Pedro Gomes, acompanhados pelo professor Ézio Rezende, reforça a importância da integração entre educação e setor produtivo.
A atividade permitiu que os estudantes acompanhassem todo o ciclo — da criação do animal ao beneficiamento industrial — entendendo na prática como uma cadeia produtiva estruturada gera valor, empregos e desenvolvimento regional no interior de Mato Grosso do Sul.










