O estúdio da rádio Morena FM foi palco do primeiro grande confronto político da corrida eleitoral para o governo de Mato Grosso do Sul em 2026. Marcado por um tom afiado e um alvo compartilhado, o debate promovido em parceria com o portal Primeira Página expôs a estratégia dos postulantes ao Parque dos Poderes: focar toda a artilharia na atual administração estadual.
A ausência do atual governador, Eduardo Riedel (PP), pré-candidato à reeleição, deixou uma cadeira vaga no cenário e abriu caminho para que a oposição transformasse o encontro em um fórum de duras críticas. Sem nenhum representante do governo atual para responder aos questionamentos, os sete candidatos presentes alternaram embates diretos entre si com cobranças contínuas à gestão.
Durante três blocos de dinâmicas com temas sorteados e de livre escolha, os discursos abordaram feridas abertas no estado:
Escândalos e Gestão da Saúde: Tópicos como a Operação Gutemberg, a crise na Cassems e o gargalo no atendimento hospitalar do interior dominaram as intervenções de João Henrique Catan (Novo), Delcídio Amaral (PRD) e Renato Gomes (DC).
Direitos Sociais e Minorias: Daniel Lemes (PCO) e Lucien Rezende (PSOL) direcionaram cobranças ao tratamento dado aos povos indígenas, aos altos índices de feminicídio no estado e à paralisação das nomeações no concurso da Polícia Civil.
Economia e Infraestrutura: A Rota Bioceânica gerou divergências entre os participantes, enquanto Fábio Trad (PT) defendeu o combate às desigualdades e à miséria, posicionando-se como o representante oficial do governo federal no pleito.
Apesar do tom incisivo das acusações e da metralhadora de críticas direcionada ao atual governo, o encontro transcorreu de forma ordeira, sem a necessidade de concessão de direitos de resposta ou interrupções por tumulto. A disputa antecipa o clima de tensão que deve marcar a campanha eleitoral de Mato Grosso do Sul nas próximas semanas.


