Bilionário e sem licitação: Sanesul mantém contrato de saúde com a Unimed há 16 anos sob críticas e reajustes

Atualidades

Uma longa investigação jornalística revelou que a Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul, Sanesul, mantém há 16 anos um contrato de assistência médica com a Unimed de Dourados sem a realização de novos processos licitatórios. Firmado inicialmente em outubro de 2010 por R$ 3,5 milhões, o acordo principal (número 206/2010) já passou por 34 prorrogações e acumulou um montante de R$ 206,7 milhões, com vigência estendida até dezembro de 2026.

O acerto inicial foi assinado pelo então diretor-presidente da estatal e atual vice-governador do Estado, Barbosinha, que comandou a companhia a partir de 2007. Além desse documento, o portal de transparência da empresa pública aponta um segundo vínculo mais antigo, o contrato 153/2005, voltado a dependentes indiretos (como pais e sogros), que soma 21 anos de vigência e cerca de R$ 29,5 milhões. Somados, os dois compromissos financeiros superam a marca de R$ 236 milhões.

Enquanto os repasses públicos continuam atrelados à mesma operadora, dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, indicam que a base de clientes da cooperativa na região diminuiu de 43,4 mil beneficiários em 2015 para 31,8 mil em meados de 2026. Em contrapartida, as reclamações formais de usuários dispararam, elevando o índice de queixas da operadora para patamares acima da média de empresas de médio porte do setor, com registros frequentes de demoras ou negativas em autorizações prévias de procedimentos.

Especialistas apontam que o modelo de renovações sucessivas esbarra nos limites temporais previstos tanto pela antiga Lei de Licitações (8.666/93) quanto pela legislação que rege as estatais e pelas normas internas de conformidade da própria companhia de saneamento, que exigem demonstrações periódicas de vantajosidade e novos certames.

Por sua vez, o sindicato que representa a categoria, o Sindágua-MS, tem contestado o avanço dos custos repassados aos trabalhadores. No início de 2026, os empregados enfrentaram um reajuste acumulado de 18,6% nas mensalidades, além da elevação no fator moderador cobrado por utilização, acendendo o debate sobre a perpetuação de contratos de longa data sem concorrência no serviço público estadual.

Nossas Redes Sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *