Denúncia aceita: Justiça dá andamento a processo contra ex-servidores e despachantes por fraudes no Detran-MS

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A Justiça de Mato Grosso do Sul, por meio da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, aceitou a denúncia formulada pelo Ministério Público Estadual contra cinco pessoas envolvidas em um esquema de fraudes no Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS).

O grupo é réu por inserção de dados falsos em sistema de informações, falsidade ideológica e associação criminosa. De acordo com as investigações, os acusados alteravam ilegalmente o banco de dados do órgão para incluir um quarto eixo inexistente em 49 veículos, dispensando o envio dos automóveis para vistorias obrigatórias.

A acusação formal atinge cinco indivíduos divididos entre ex-funcionários públicos e profissionais credenciados:

Ex-servidores: Abner Aguiar Fabre, Bedson Rodrigues Machado e Genis Garcia Barbosa.
Despachantes: David Cloky Hoffmam Chita e Leandro César de Matos Sória.

O esquema veio à tona em julho de 2024, após um servidor do Detran-MS registrar um boletim de ocorrência relatando irregularidades na liberação e na retirada de restrições administrativas de veículos no sistema. A suspeita começou quando um advogado agradeceu à direção da DIRVE pela remoção de uma restrição veicular que ainda tramitava oficialmente sem conclusão.

Uma auditoria interna revelou dezenas de liberações suspeitas em curto período. A apuração policial identificou que dezenas de baixas foram efetuadas utilizando o login do próprio denunciante em momentos em que ele estava ausente, incluindo 26 alterações realizadas no intervalo de apenas uma hora.

As investigações apontaram ramificações de extorsão financeira vinculadas às fraudes. Um dos proprietários de veículos beneficiados pelas baixas irregulares foi alvo de cobranças de R$ 10 mil feitas por um despachante identificado nas investigações como David Chita sob a justificativa de que o valor serviria para pagar “os comparsas” envolvidos no esquema. Áudios interceptados pela polícia reforçaram os indícios de participação direta do despachante tanto nas fraudes sistêmicas quanto nas ameaças de cobrança.

Com o recebimento da denúncia pelo Judiciário, o processo passa para a fase regular de instrução criminal, onde a defesa e a acusação apresentarão novas provas e testemunhas.

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