Pais denunciam no Ministério Público superlotação, crianças sem cinto e descaso da gestão em Pedro Gomes(MS)

Atualidades

A situação do transporte escolar em Pedro Gomes voltou a causar revolta entre pais de alunos e agora ganhou novos desdobramentos após denúncias, imagens e relatos chegarem ao Conexão PG News. O que era tratado nos bastidores como “problema antigo” explodiu nas redes sociais e chegou oficialmente ao conhecimento do Legislativo e do Ministério Público.

Pais afirmam que crianças estão sendo transportadas em condições precárias, em ônibus superlotados,sem monitor, sem segurança adequada e, em alguns casos, até sentadas sobre o motor do veículo. Há relatos de alunos viajando “amontoados”, inclusive crianças pequenas e estudantes com necessidades especiais.

Segundo denúncias e documentos recebidos pela reportagem, a linha do Recreio estaria operando com mais de 50 alunos dentro do ônibus, cenário considerado preocupante por famílias que utilizam diariamente o serviço.

Em um documento encaminhado à Promotoria Pública de Pedro Gomes, pais relatam que:

crianças não utilizam cinto de segurança;

alunos brigam dentro do ônibus;

o motorista precisaria parar diversas vezes para conter confusões;

e uma criança teria caído dentro do veículo, batido a cabeça e chegado à escola com roupas ensanguentadas.

O documento ainda relata preocupação com o trajeto realizado pela BR-163 e menciona que os pais já haviam procurado prefeito e vereadores anteriormente, mas “nada foi resolvido”.

As denúncias ficaram ainda mais graves após imagens mostrarem crianças em locais improvisados dentro do ônibus, inclusive próximas ao compartimento do motor.

Pais ouvidos pelo Conexão PG News afirmam que a sensação é de abandono e descaso.

“Tem criança sentada em cima do motor do ônibus. A gente só quer segurança para os nossos filhos”, relatou um pai à reportagem.

Outro trecho enviado à redação afirma que: “toda vez que os pais procuravam a gestão para pedir melhorias, a situação parecia piorar.”

Os relatos também apontam ausência de monitor escolar nos veículos, algo que os pais consideram essencial devido à presença de alunos pequenos e crianças com necessidades especiais.

PRESSÃO PÚBLICA E ‘SOLUÇÃO’ APÓS REPERCUSSÃO

Após vídeos, fotos e denúncias começarem a circular e chegarem ao Conexão PG News, pais afirmam que a prefeitura teria enviado um micro-ônibus para auxiliar no transporte da linha denunciada.

A mudança chamou atenção dos próprios moradores, que demonstraram surpresa com a rapidez da resposta após a repercussão pública do caso.

“Por coincidência mandaram um micro na frente e o ônibus veio logo atrás com as crianças sentadas”, afirmou um pai em áudio enviado à redação.

Apesar disso, os pais afirmam que a medida parece improvisada e temporária.

A principal reclamação agora é que o problema só começou a receber atenção após exposição pública e pressão popular.

“Não adianta improvisar por alguns dias só para aliviar a repercussão. O que os pais querem é solução definitiva”, relatou outro morador.

PROMESSAS DE CAMPANHA VIRAM ALVO DE CRÍTICAS

A situação também reacendeu cobranças sobre promessas feitas durante a campanha eleitoral pelo prefeito Jorge.

Moradores lembraram declarações dadas durante o período eleitoral sobre prioridade e qualidade no transporte escolar.

Agora, pais questionam o contraste entre o discurso de campanha e a realidade enfrentada pelos alunos da zona rural.

As críticas aumentaram principalmente porque, segundo os denunciantes, a situação não seria recente e já teria sido levada anteriormente à Secretaria de Educação e ao Executivo Municipal.

LEGISLATIVO ENTRA NA DISCUSSÃO

Após o caso ganhar repercussão, o assunto também chegou ao conhecimento da Câmara Municipal.

O presidente da Casa, vereador Réges Nunes, afirmou ao Conexão PG News que pretende acompanhar a situação e cobrar providências relacionadas à segurança dos estudantes.

Segundo ele, a prioridade deve ser garantir que nenhuma criança seja colocada em risco durante o trajeto escolar.

Nos bastidores, moradores também passaram a cobrar maior fiscalização do Legislativo, principalmente por envolver diretamente a área da Educação.

ÔNIBUS TAMBÉM LEVANTA QUESTIONAMENTOS

Além da superlotação, moradores passaram a questionar as condições do veículo utilizado e possíveis incompatibilidades com exigências previstas no processo licitatório.

Pais afirmam que o ônibus apresentaria sinais de desgaste e problemas estruturais, incluindo relatos anteriores sobre vidros danificados.

As imagens recebidas pela reportagem mostram um veículo antigo e levantam novos questionamentos sobre fiscalização contratual e cumprimento das exigências previstas para o transporte escolar.

CLIMA DE REVOLTA

Nas redes sociais e grupos de mensagens, cresce a indignação de moradores com o que classificam como “falta de prioridade” para a Educação.

A principal crítica é que a gestão municipal teria reagido apenas após o caso ganhar repercussão pública.Mães de alunos reforçaram que a situação seria recorrente e não um caso isolado. Uma das moradoras da região afirmou que “toda vez que uma bomba dessas estoura eles enviam esse microônibus, mas na semana seguinte volta a mesma situação”, relatando ainda que pais já procuraram o prefeito e outras autoridades, porém sem retorno efetivo. Outra mãe afirmou que, quando o ônibus volta a operar superlotado, as crianças seriam transportadas “em desacordo com a lei”, revelando inclusive que a PRF já teria sido acionada anteriormente. Segundo os relatos, em uma dessas ocasiões o ônibus chegou a ser parado e alguns pais precisaram buscar os filhos, mas, conforme denunciado pelas próprias famílias, no dia seguinte a situação teria voltado ao normal. “Já tentamos de tudo”, desabafou uma das mães nas redes sociais.

Para muitos pais, o episódio escancara uma situação que já vinha sendo denunciada há meses: contratos altos, promessas públicas e uma realidade considerada incompatível com a segurança mínima esperada para crianças e adolescentes.

O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Pedro Gomes e da Secretaria Municipal de Educação.

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