Com Riedel, letalidade policial cresce, mas crime organizado se fortalece e amplia influência em MS

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Nove mortos em menos de 48 horas, disputa entre PCC e Comando Vermelho e operações que revelaram policiais envolvidos em esquemas criminosos expõem ausência de políticas públicas eficientes do Governo Riedel para segurança pública em MS

Mato Grosso do Sul encerra mais um fim de semana marcado pela violência. Entre sexta-feira (9) e sábado (10), ao menos nove pessoas morreram em ocorrências com suspeitas de ligação ao crime organizado.

Os episódios se somam à disputa entre facções, às investigações de corrupção policial e ao aumento recente das mortes em intervenções das forças de segurança, expõem a falta de políticas públicas eficientes de segurança pública do governo Eduardo Riedel (PP).

Em Sidrolândia, quatro pessoas morreram durante uma operação policial contra suspeitos de integrar o Comando Vermelho (CV), entre elas dois adolescentes de 16 e 17 anos. Segundo a polícia, o grupo estaria envolvido em atentados em Sidrolândia, Maracaju e Rio Brilhante, utilizando imóveis alugados para esconder armas e integrantes após os ataques. Em Rio Brilhante, outros dois suspeitos morreram durante uma intervenção do Batalhão de Choque.

Enquanto isso, a violência atingiu outros municípios. Em Caarapó, um homem foi assassinado a tiros em um estabelecimento comercial. Em Campo Grande, dois homicídios foram registrados nos bairros Jardim Noroeste e Parque do Lageado, um deles contra um adolescente de 16 anos. As investigações ainda precisam esclarecer a motivação de cada crime e confirmar eventuais vínculos com organizações criminosas.

PCC e CV ampliam a disputa pelo território

Os acontecimentos não são isolados. Somente em Sidrolândia, ao menos 13 mortes já foram associadas à disputa entre facções em 2026, segundo levantamento divulgado pela imprensa regional. Em setembro, o promotor Felipe Almeida Marques, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, estimou que mais de cem pessoas poderiam ter morrido neste ano em conflitos envolvendo o PCC e o Comando Vermelho, ressalvando que não existe uma contagem definitiva.

A disputa envolve territórios e rotas estratégicas para o tráfico, especialmente pela localização de Mato Grosso do Sul na fronteira com Paraguai e Bolívia. As organizações criminosas também recorrem a ameaças, execuções e ataques contra grupos rivais, criando um ambiente de insegurança que alcança cidades do interior e a capital.

Policiais investigados por fornecer drogas ao próprio tráfico

A situação torna-se ainda mais grave quando investigações identificam a participação de agentes públicos nos negócios criminosos. Em setembro, a Operação Infiltrados, conduzida pelo Gaeco, resultou na prisão do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e de outros policiais investigados por desviar drogas apreendidas e revendê-las a traficantes.

Segundo o Ministério Público, o esquema utilizava a estrutura de unidades policiais para retirar entorpecentes de apreensões oficiais. Entre os episódios investigados está o desvio de aproximadamente 120 quilos de cocaína de uma carga apreendida em Bela Vista, em 2024. As suspeitas ainda estão sujeitas à apuração judicial e ao direito de defesa dos envolvidos.

Em Ponta Porã, outro caso revelou a profundidade da corrupção institucional na fronteira. A Operação Codicia, atingiu a maior delegacia da Polícia Civil do município, que chegou a ficar sem atendimento devido à prisão de boa parte de seu efetivo. Em novembro de 2024, dois delegados, seis policiais civis e uma perita foram condenados pela Justiça em um esquema que envolvia cobrança de propina para liberar veículos e negociações relacionadas a drogas apreendidas.

Outras investigações reforçam a dimensão do problema. Em março de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Iscariotes contra uma organização suspeita de envolver policiais, bombeiros e outros agentes de segurança em contrabando de eletrônicos, corrupção e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 40 milhões. Em abril, a Operação Lealdade Corrompida investigou um grupo que se passava por agentes públicos para subtrair drogas.

Mais mortes em operações não significam menos crime organizado

A letalidade policial também apresenta indicadores preocupantes. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, Mato Grosso do Sul passou de 67 mortes decorrentes de intervenção policial em 2024 para 75 em 2025. Já levantamento baseado no sistema estadual SIGO registrou 63 mortes até 22 de julho de 2026, contra 39 no período equivalente do ano anterior, aumento de 61,5%.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública atribui o aumento dos confrontos à maior agressividade de integrantes das facções e sustenta que as circunstâncias de cada ocorrência precisam ser consideradas. O enfrentamento armado pode ser necessário diante de ameaças concretas, mas a elevada quantidade de mortes não constitui, por si só, demonstração de que o crime organizado esteja sendo desarticulado.

A possibilidade de retaliações, reorganização de grupos e intensificação de disputas após operações policiais exige acompanhamento investigativo. O contraste é o ponto central: enquanto suspeitos morrem em confrontos, facções continuam disputando territórios e investigações revelam que parte das drogas apreendidas chegou a retornar ao mercado ilegal pelas mãos de agentes encarregados de combatê-lo.

Ao governo Riedel cabe demonstrar resultados que ultrapassem as estatísticas de confrontos: reduzir homicídios, enfraquecer financeiramente as organizações criminosas, impedir a corrupção nas forças de segurança e garantir proteção efetiva à população. A persistência desses episódios mostra por que o número de mortos não pode ser confundido com uma medida de segurança.

fonte: Markon Machado

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